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sábado, 11 de junho de 2016

Francisco pede um ecumenismo que promova uma missão comum de evangelização e serviço

Francisco pede um ecumenismo que promova uma missão comum de evangelização e serviço

Papa Francisco - ecumenismo

O Santo Padre recebe uma delegação da liderança da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas

10 JUNHO 2016ROCÍO LANCHO GARCÍAPAPA FRANCISCO

Papa Francisco - ecumenismo

Papa Francisco Y Dirección De La Comunión Mundial De Las Iglesias Reformadas - Osservatore Romano

O Papa Francisco considera que é urgente e necessário um ecumenismo que, juntamente com o esforço teológico que visa recompor disputas doutrinárias entre os cristãos, promova uma missão comum de evangelização e de serviço. Assim falou na manhã de hoje no encontro que teve com uma delegação da direção da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas.

Da mesma forma, observou que existem muitas iniciativas e boa colaboração em diferentes lugares. Mas “todos podemos fazer muito mais juntos para dar um testemunho vivo a todo o que pede razão da nossa esperança”: transmitir o amor misericordioso de nosso Pai, que recebemos gratuitamente e estamos chamados a dar generosamente.

O encontro de hoje – garantiu o Papa no seu discurso – é um passo a mais no caminho que caracteriza o movimento ecumênico. Como recordou, passaram-se dez anos desde que uma delegação da Aliança Mundial das Igrejas Reformadas visitou o Papa Bento XVI. Neste tempo, a histórica unificação do Conselho Ecumênico Reformado e da Aliança Mundial das Igrejas Reformadas, que aconteceu em 2010, “foi um exemplo tangível do progresso em direção à meta da unidade cristã” e para muitos, “um estímulo no caminho ecumênico”, observou o Papa.

Também assegurou aos presentes que “devemos dar graças a Deus” acima de tudo, pela redescoberta da nossa fraternidade que “está enraizada no reconhecimento do único batismo e na consequente exigência de que Deus seja glorificado na sua obra”.

Por isso, garantiu que “católicos e reformados podem promover um crescimento mútuo nesta comunhão espiritual, para melhor servir ao Senhor”. Nesta mesma linha, o Papa destacou que a recente conclusão da quarta fase do diálogo teológico entre a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas e o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, com o tema ‘A justificação e a sacramentalidade: a comunidade cristã como artesã de justiça’, representa “um motivo especial de agradecimento”. E manifestou a sua alegria ao ver que o informe final destaca com clareza “o vínculo inseparável entre a justificação e a justiça”. Com relação a isso, Francisco recordou que a nossa fé em Jesus “nos leva a viver a caridade por meio de gestos concretos”, capazes de influenciar “no nosso estilo de vida”, “nas relações” e “na realidade que nos rodeia”. Com base no acordo sobre a doutrina da justificação, o Papa disse que há muitos campos em que Reformados e católicos podem trabalhar juntos para testemunhar o amor misericordioso de Deus, “verdadeiro antídoto perante o senso de desorientação e a da indiferença que nos circundam”.

Reconhecendo que hoje experimenta-se, muitas vezes, uma ‘desertificação espiritual’, o Santo Padre indicou que, especialmente lá onde se vive como se Deus não existisse, nossas comunidades cristãs “estão chamadas a ser cântaros que apagam a sede com a esperança, presenças capazes de inspirar fraternidade, encontro, solidariedade, amor genuíno e desinteressado”, “devem acolher e reacender a graça de Deus, para não fechar-se em si mesmos e abrir-se à missão”.

A este respeito, o Santo Padre reconheceu que não pode comunicar a fé, vivendo-a “de forma isolada” ou “em grupos fechados e separados”, em uma espécie de falsa autonomia e de imanentismo comunitário. Assim não se dá resposta – acrescentou – à sede de Deus que nos interroga e que está presente também em tantas formas novas de religiosidade.

Para concluir o encontro, desejou que este “encontrar-nos” sirva de incentivo para todas as comunidades reformadas e católicas para continuar trabalhando juntas na transmissão da alegria do Evangelho aos homens e mulheres do nosso tempo.

A IGREJA CATÓLICA É A QUERIDA DE DEUS

A IGREJA CATÓLICA É A QUERIDA DE DEUS



Somos filhos de Deus através do batismo que recebemos da Igreja Católica. Quando assumimos a fé que recebemos da Igreja, onde tem o deposito dos ensinamentos genuínos de Cristo que vem do magistério, da tradição e da bíblia.

A vida de todos que passaram pela Igreja e deram testemunhos do Cristo com sua vida, derramando os seus sangues para que o evangelho fosse difundido. A Igreja é sinal da presença de Cristo no mundo. Jesus veio para servir e não ser servido. Ele não pregou que a riqueza desse mundo é a razão de nossa busca para felicidade, mas buscar as coisas do alto e as outras coisas vem por acréscimo até nós. 

Jesus nos convida segui-Lo, pois Ele não tinha a onde repousar a sua cabeça. Jesus é a demonstração da verdadeira humildade e pobreza, nascendo em uma manjedoura demonstrou de modo límpido a sua majestade. Antes de ser crucificado, Ele quis cear com os apostolo e no gesto de servidor lava os pés dos discípulos para que cada um de nós aprendamos a serem servidores humildes de todos.

Se quisermos seguir Jesus devemos desnudar a nossa vida de todo materialismo e acumulo de bens que faz com que afastemos Dele e ainda ficamos com o coração longe de Deus. A verdadeira riqueza é estar com Deus, ouvindo a sua palavra transmitida pela Igreja de Cristo, recebendo a eucaristia e ouvindo a voz do magistério.

É melhor estarmos na Igreja Católica do que ficarmos procurando doutrinas que se apegam em interpretações humanas aonde vem muitas duvidas transmitidas com erros sem serem bem refletidas.
Assim, meus irmãos e irmãs, procuremos abrir o nosso coração a Deus, pedindo que a luz do Espirito Santo inunda o nosso ser para o verdadeiro discernimento em vista da verdade que liberta e nos transforma. 

Há uma Igreja que é ornada com milhares de santos canonizados através da fé reconhecida pelos seus testemunhos e com sangues derramados em nome de Cristo. Nós somos e fazemos parte desta Igreja de Cristo que não vem com a ostentação de bens que perecem, mas de bens espirituais que duram para eternidade.

Se não houvesse a Igreja católica, onde foi guardiã da Palavra de Deus transmitida e muitas vezes copiada em pergaminhos, pois por 1500 anos aproximadamente não havia a imprensa. Ela foi zelosa, cuidava e transmitia a Palavra de Deus até um dia ter sido impressa em Bíblia através da descoberta da impressão que foi na Idade Moderna. Todos os livros sagrados estão na Bíblia que tiveram a sua canocidade e aval da Igreja de Cristo e que até hoje ela é propagada para todos.

Há muitos movimentos dentro da Igreja e fora dela para um dialogo ecumênico que busca a fraternidade e um bom convívio, pois todos são chamados a ouvir a voz de Jesus. desse modo podemos destacar: Por isso, garantiu que “católicos e reformados podem promover um crescimento mútuo nesta comunhão espiritual, para melhor servir ao Senhor”. Nesta mesma linha, o Papa destacou que a recente conclusão da quarta fase do diálogo teológico entre a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas e o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, com o tema ‘A justificação e a sacramentalidade: a comunidade cristã como artesã de justiça’, representa “um motivo especial de agradecimento”. E manifestou a sua alegria ao ver que o informe final destaca com clareza “o vínculo inseparável entre a justificação e a justiça”. Com relação a isso, Francisco recordou que a nossa fé em Jesus “nos leva a viver a caridade por meio de gestos concretos”, capazes de influenciar “no nosso estilo de vida”, “nas relações” e “na realidade que nos rodeia”. Com base no acordo sobre a doutrina da justificação, o Papa disse que há muitos campos em que Reformados e católicos podem trabalhar juntos para testemunhar o amor misericordioso de Deus, “verdadeiro antídoto perante o senso de desorientação e a da indiferença que nos circundam”. ( zenit.org)

O Papa Francisco considera que é urgente e necessário um ecumenismo que, juntamente com o esforço teológico que visa recompor disputas doutrinárias entre os cristãos, promova uma missão comum de evangelização e de serviço. Assim falou na manhã de hoje no encontro que teve com uma delegação da direção da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas. (zenit.org)

Todos devem colaborar no dialogo sincero e serviço para a difusão do evangelho genuino de Cristo.

Que Deus, possa nutrir o nosso coração sempre na sua verdade e que as penumbras das interpretações pessoais da bíblia sejam dissipadas pela luz do Espirito Santo que não deixará o engano e distorção reinarem nos corações inquietos. Amém


Bacharel em Teologia Jose Benedito Schumann Cunha

O Papa eleva à festa a celebração de Maria Madalena
A decisão faz parte do atual contexto eclesial, que insta a uma reflexão mais profunda sobre a dignidade da mulher, a nova evangelização e a grandeza do mistério da misericórdia divina

10 JUNHO 2016REDACAOPAPA FRANCISCO

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Fray Angelico - Noli Me Tangere

A celebração de Maria Madalena, memória obrigatória dia 22 de Julho, foi elevada no Calendário Romano Geral ao grau de festa. Por desejo expresso do Papa Francisco, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou um novo decreto para estabelece-lo.

A decisão – explica mons. Arthur Roche secretário do dicastério – se enquadra no atual contexto eclesial, que pede uma reflexão mais profunda sobre a dignidade da mulher, a nova evangelização e a grandeza do mistério da misericórdia divina.

Também destaca que santa Maria Madalena, primeira testemunha que viu o Ressuscitado e primeira mensageira que anunciou aos apóstolos a ressurreição do Senhor, é um exemplo de verdadeira e autêntica evangelizadora, ou seja, uma evangelizadora que anuncia a alegre mensagem central da Páscoa.

Por outro lado, especifica que o Santo Padre Francisco tomou esta decisão precisamente no contexto do Jubileu da Misericórdia para demonstrar a relevância desta mulher que mostrou um grande amor a Cristo e foi tão amada por Ele.

O Pecado nos afasta de Deus e da Igreja.

O Pecado nos afasta de Deus e da Igreja.




Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando nesse dia o 11° Domingo do Tempo Comum, é no encontro com os irmãos e irmãs que encontramos forças na caminhada através da escuta da Palavra de Deus e da Eucaristia. Sabemos que a Igreja é composta de santos e pecadores, mesmos que desejamos ser justos e santos, mas o pecado nos afasta de Deus e de todos. Há uma necessidade do perdão divino e de cada membro da Igreja. Hoje é dia dos namorados e que eles possam se santificarem nesse período importante para a maturidade e formação de uma futura família do agrado de Deus.

A liturgia bíblica desse domingo nos mostra um Deus de amor e de misericórdia por todos nós. Deus não gosta do pecado, tem um amor muito especial ao Pecador, assim Ele quer resgatá-lo para ter a vida plena com Deus.

No segundo livro de Samuel encontramos o rei Davi que peca diante dos olhos de Deus e vemos a reação de Deus diante do pecado do rei. O pecado de Davi foi o adultério, quando ficou com a mulher de Urias. A consequência disso foi a gravidez dela e desse modo agora ela vai ser mãe não do filho de Urias, mas de Davi. Isso faz com que Davi pensar numa saída que foi trazer Urias para dormir com ela, mas ele não foi ter com ela e dormiu na escada do palácio.

E  agora? Então rei Davi mandou uma mensagem ao general da Batalha para colocar Urias em uma batalha mais dura e assim foi feito. Consequência disso ele morre. O rei Davi a leva para sua casa, tornando assim sua mulher. Mas, Deus não aceitou essa transgressão e envia o profeta Natã e este denuncia o ato mal do rei e anuncia castigo a ele e a sua família. O rei Davi se arrepende e se humilha diante de Deus pelo pecado feito. Por causa disso, Deus acolheu o seu arrependimento e dá o seu perdão. Ele envia novamente ao rei Davi com uma mensagem da esperança: “tu não morrerás".Desse modo percebemos que Deus ama o pecador e não pecado. (cf. 2Sm 12,7-10.12)

Na carta aos gálatas de  Paulo afirma que a Salvação dada a todos é um dom gratuito que Deus oferece a nós, isso vai acontecer, por que Deus é que nos dá esse dom, mas é necessário nós aderirmos a Cristo na totalidade do amor a Ele em uma entrega a sua vontade. Na Igreja somos chamados a ser missionários da misericórdia de Deus e que todos possam provar o amor Dele e o seu perdão infinito por todos. (cf. Gl 2,16.19-21)

Na narrativa do Evangelho de Lucas  temos o episodio a mulher pecadora que entra nas casa dos pecadores onde Jesus estava fazendo a refeição com eles. Os presentes censuram Jesus por deixar aquela mulher lavar os seus pés e ungi-los com perfumes. Mas Jesus os exorta, dizendo essa mulher fez o que vocês deveriam ter feito comigo quando cheguei a sua, pois isso dela contou muito e Ele fala a ela: os seus pecados estão perdoados, mas não peques mais. (cf. Lc 7,36-8,3)

Isso nos faz pensarmos: uma mulher prostituta e ainda a figura da mulher  já era desprezada na sociedade, mesmo assim Jesus a acolhe com um coração amoroso e misericordioso. Essa atitude deve nos impulsionar na nossa Igreja, na nossa família e no mundo.

Que esta liturgia nos ajude a ter olhos e gesto de misericórdia com os nossos irmão e irmãs que falham e pecam para que encontre o caminho do arrependimento e regeneração de vida.

Tudo por Jesus, nada sem Maria.

Bacharel em teologia Jose Benedito Schumann Cunha

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Papa Francisco: “A fé é para mim, para preservá-la? Não! É para ir e dar aos outros”

Papa Francisco: “A fé é para mim, para preservá-la? Não! É para ir e dar aos outros”

QUERIDOS IRMÃOS E IRMÃS EM CRISTO, SOMOS CHAMADOS PELO BATISMO A SER MISSIONÁRIO DA FÉ EM JESUS A TRAVÉS DO NOSSO TESTEMUNHO DE VIDA. A IGREJA NOS ENVIA SEMPRE AO ENCONTRO DO OUTRO E NÃO PODEMOS ACOMODAR A NOSSA FÉ NO INDIVIDUALISMO RELIGIOSO. SE ESTIVERMOS ANIMADO NA FÉ QUE VEM DA NOSSA PARTICIPAÇÃO NA COMUNIDADE, NA EUCARISTIA E NA PALAVRA DE DEUS. A MELHOR MANEIRA DE ESCUTAR DEUS ESTÁ NA HUMILDADE DE SERVIR COMO SERVO OBEDIENTE. NÓS NÃO ESTAMOS SÓS NESTA JORNADA RUMO AO CÉU, POIS DEUS ESTÁ CONOSCO E UMA MULTIDÃO DE PESSOAS CAMINHAM EM DIREÇÃO À CASA DO PAI. QUANDO ESTAMOS ACOLHIDOS NA CASA DE DEUS E DOS IRMÃOS NUNCA VAMOS PASSAR NECESSIDADE, POIS DEUS NOS DARÁ A GRAÇA JUNTAMENTE COM OS IRMÃOS DE FÉ. QUE A LUZ DA NOSSA EXISTÊNCIA SEJA FONTE PARA QUE TODOS CAMINHEM. ( JOSE BENEDITO SCHUMANN CUNHA)

Posted by Redacao on 10 June, 2016

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Na homilia de hoje o Papa resume em três comportamentos a vida do cristão: estar de pé para acolher Deus, estar em paciente silêncio para escutar a sua voz e em saída para anunciá-Lo aos demais.

Um pecador arrependido que decidiu retornar a Deus ou alguém que consagrou a vida a Ele: ambos, em algum momento, podem ser tomados pelo “medo” de não conseguir manter a escolha. E a fé se embaça enquanto a depressão está à espreita.

Para aprofundar este aspecto e indicar a saída do túnel, o Papa evocou por um momento a situação do filho pródigo, deprimido enquanto observa faminto os porcos. Todavia, Francisco se concentrou sobretudo no Profeta Elias, personagem da liturgia do dia.

Ele, recordou o Papa, é “um vencedor” que “tanto lutou pela fé” e derrotou centenas de idólatras no Monte Carmelo. Mas, ao ser alvo da enésima perseguição, deixa-se abater. Cai por terra sob uma árvore, desencorajado, esperando a morte. Mas Deus não o deixa naquele estado de prostração e envia um anjo com uma frase imperativa: levanta-te, coma, saia:

“Para encontrar Deus é necessário voltar à situação do homem no momento da criação: de pé e em caminho. Assim, Deus nos criou: à Sua altura, à Sua imagem e semelhança e em caminho. “Vai, segue adiante! Cultiva a terra, faça-a crescer; e multiplicai-vos…’. ‘Saia!’. Saia e vá ao Monte e pare no Monte à minha presença. Elias ficou de pé. De pé, ele sai”.

Sair, para então colocar-se à escuta de Deus. Mas, “como passa o Senhor? Como posso encontrar o Senhor para ter certeza de que é Ele?”, se perguntou Francisco. O trecho do Livro dos Reis é eloquente. Elias foi convidado pelo anjo para sair da caverna no Monte Horebe, onde encontrou abrigo para estar na “presença” de Deus. No entanto, a induzi-lo a sair não são nem o vento “impetuoso e forte” que quebra as rochas, nem o terremoto que se segue e nem mesmo o sucessivo fogo:

“Muito ruído, muita majestade, muito movimento e o Senhor não estava ali. ‘E depois do fogo, o sussurro de uma brisa suave’ ou, como está no original, ‘o fio de um silêncio sonoro’. E ali estava o Senhor. Para encontrar o Senhor, é preciso entrar em nós mesmos e sentir aquele ‘fio de um silêncio sonoro’ e Ele nos fala ali”.

O terceiro pedido do anjo a Elias é: “Saia”. O profeta é convidado a refazer seus passos, em direção do deserto, porque lhe foi dada uma tarefa a cumprir. Nisso, ressalta Francisco, se capta o estímulo “a estarmos em caminho, não fechados, não dentro do nosso egoísmo, da nossa comodidade”, mas “corajosos” em “levar aos outros a mensagem do Senhor”, isto é, ir em “missão”:

“Devemos sempre buscar o Senhor. Todos nós sabemos como são os maus momentos: momentos que nos puxam para baixo, momentos sem fé, escuros, momentos em que não vemos o horizonte, somos incapazes de se levantar. Todos nós sabemos isso! Mas é o Senhor que vem, nos restaura com o pão e com a sua força e nos diz: ‘Levante-se e vá em frente! Caminhe!’. Para encontrar o Senhor devemos estar assim: de pé e caminhar. Depois esperar que ele fale conosco: o coração aberto. E Ele vai nos dizer: ‘Sou eu’ e ali a fé se torna forte. A fé é para mim, para preservá-la? Não! É para ir e dar aos outros, para ungir os outros, para a missão”. (Com informações Rádio Vaticano)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O Papa Francisco presidiu hoje, na Praça de São Pedro, a celebração do Sagrado Coração de Jesus, concluindo o Jubileu dos Sacerdotes.

O Papa Francisco presidiu hoje, na Praça de São Pedro, a celebração do Sagrado Coração de Jesus, concluindo o Jubileu dos Sacerdotes.
Queridos irmãos e irmãs, como é bonito estarmos juntos e unidos no coração de Cristo, o bom Pastor. Hoje a modernidade e a correria nos afastam do verdadeiro sentido da vida e do ministerio que se deve fazer. Todo servição à Igreja deve ser feito no amor e na gratidão, pois quem nos orienta e nos dá sentido ao nosso agir é Deus. Jesus se deu por completo a toda humanidade sem deixar nada, tudo isso por amor grande que tem a todos. A misericórdia de Deus nos anima para que os nosso trabalhos sejam frutuosos. Precisamos de padres que sejam alegres no ministerio da Igreja para que o Reino de Deus seja desejado por todos. Assim, somos convidados para o banquete da vida onde todos tem o seu assento. (Bacharel em Teologia Jose Benedito Schumann Cunha)

Em sua homilia centrou-se no coração do Pastor. “O Coração do Bom Pastor é a própria misericórdia, revela que o seu amor não tem limites, não se cansa nem se arrende jamais. É um Coração que está inclinado para nós, concentrado especialmente sobre quem está mais distante; aponta a agulha da sua bússola para essa pessoa, por quem revela um amor particular”.
Leia a homilia na íntegra:
***
Celebrando o Jubileu dos Sacerdotes na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, somos chamados a concentrar-nos no coração, ou seja, na interioridade, nas raízes mais robustas da vida, no núcleo dos afetos, numa palavra, no centro da pessoa. E hoje fixamos o olhar em dois corações: o Coração do Bom Pastor e o nosso coração de pastores.
O Coração do Bom Pastor é, não apenas o Coração que tem misericórdia de nós, mas a própria misericórdia. Nele resplandece o amor do Pai; nele tenho a certeza de ser acolhido e compreendido como sou; nele, com todas as minhas limitações e os meus pecados, saboreio a certeza de ser escolhido e amado. Fixando aquele Coração, renovo o primeiro amor: a memória de quando o Senhor me tocou no mais íntimo e me chamou para O seguir; a alegria de, à sua Palavra, ter lançado as redes da vida (cf. Lc 5, 5).
O Coração do Bom Pastor diz-nos que o seu amor não tem limites, não se cansa nem se arrende jamais. Nele vemos a sua doação incessante, sem limites; nele encontramos a fonte do amor fiel e manso, que deixa livres e torna livres; nele descobrimos sempre de novo que Jesus nos ama «até ao fim» (Jo 13,1) – não se detém antes, ama até ao fim –, sem nunca se impor.
O Coração do Bom Pastor está inclinado para nós, concentrado especialmente sobre quem está mais distante; para aí aponta obstinadamente a agulha da sua bússola, por essa pessoa revela um fraquinho particular de amor, porque deseja alcançar a todos e não perder ninguém.
À vista do Coração de Jesus, surge a questão fundamental da nossa vida sacerdotal: para onde está orientado o meu coração?Uma pergunta que nós, sacerdotes, nos devemos pôr muitas vezes, cada dia, cada semana: para onde está orientado o meu coração? O ministério aparece, com frequência, cheio das mais variadas iniciativas, que o reclamam em tantas frentes: da catequese à liturgia, à caridade, aos compromissos pastorais e mesmo administrativos. No meio de tantas atividades, permanece a questão: onde está fixo o meu coração? (Vem-me à mente aquela oração tão bela da liturgia: «Ubi vera sunt gaudia…»). Para onde aponta o coração? Qual é o tesouro que procura? Porque – diz Jesus – «onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21). Todos nós temos fraquezas e também pecados. Mas procuremos ir ao fundo, à raiz: Onde está a raiz das nossas fraquezas, dos nossos pecados, ou seja, onde está precisamente aquele «tesouro» que nos afasta do Senhor?
Os tesouros insubstituíveis do Coração de Jesus são dois: o Pai e nós. As suas jornadas transcorriam entre a oração ao Pai e o encontro com as pessoas. Não distanciamento, mas o encontro. Também o coração do pastor de Cristo só conhece duas direções:o Senhor e as pessoas. O coração do sacerdote é um coração trespassado pelo amor do Senhor; por isso já não olha para si mesmo – não deveria olhar para si mesmo –, mas está fixo em Deus e nos irmãos. Já não é «um coração dançarino», que se deixa atrair pela sugestão do momento ou que corre daqui para ali à procura de consensos e pequenas satisfações; ao contrário, é um coração firme no Senhor, conquistado pelo Espírito Santo, aberto e disponível aos irmãos. E nisso têm solução os seus pecados.
Para ajudar o nosso coração a inflamar-se na caridade de Jesus Bom Pastor, podemos treinar-nos a fazer nossas três ações que as Leituras de hoje nos sugerem: procurarincluir e alegrar-se.
Procurar. O profeta Ezequiel lembrou-nos que Deus em pessoa procura as suas ovelhas (34, 11.16). Ele – diz o Evangelho – «vai à procura da que se tinha perdido» (Lc 15, 4), sem se deixar atemorizar pelos riscos; sem hesitação, aventura-se para além dos lugares de pastagem e fora das horas de trabalho. E não exige pagamento das horas extraordinárias. Não adia a busca; não pensa: «hoje já cumpri o meu dever; veremos se me ocupo disso amanhã», mas põe-se imediatamente em campo; o seu coração está inquieto enquanto não encontra aquela única ovelha perdida. Tendo-a encontrado, esquece-se do cansaço e carrega-a aos ombros, cheio de alegria. Umas vezes terá de sair à sua procura, falar-lhe, convencê-la; outras deverá permanecer diante do Sacrário, «lutando» com o Senhor por aquela ovelha.
Tal é o coração que procura: é um coração que não privatiza os tempos e os espaços. Ai dos pastores que privatizam o seu ministério! Não é cioso da sua legítima tranquilidade – disse «legítima»; nem sequer desta –, e nunca pretende que não o perturbem. O pastor segundo o coração de Deus não defende as comodidades próprias, não se preocupa por tutelar o seu bom nome, mas será caluniado, como Jesus. Sem medo das críticas, está disposto a arriscar para imitar o seu Senhor. «Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem…» (Mt 5, 11).
O pastor segundo Jesus tem o coração livre para deixar as suas coisas, não vive fazendo a contabilidade do que tem e das horas de serviço: não é um contabilista do espírito, mas um bom Samaritano à procura dos necessitados. É um pastor, não um inspetor do rebanho; e dedica-se à missão, não a cinquenta ou sessenta por cento, mas com todo o seu ser. Indo à procura encontra, e encontra porque arrisca. Se o pastor não arrisca, não encontra. Não se detém com as deceções nem se arrende às fadigas; na realidade, é obstinado no bem, ungido pela obstinação divina de que ninguém se extravie. Por isso não só mantém as portas abertas, mas sai à procura de quem já não quer entrar pela porta. Como todo o bom cristão, e como exemplo para cada cristão, está sempre em saída de si mesmo. O epicentro do seu coração está fora dele: é um descentrado de si mesmo, porque centrado apenas em Jesus. Não é atraído pelo seu eu, mas pelo Tu de Deus e pelo “nós” dos homens.
Segunda palavra: incluir. Cristo ama e conhece as suas ovelhas, dá a vida por elas e nenhuma Lhe é desconhecida (cf. Jo 10, 11-14). O seu rebanho é a sua família e a sua vida. Não é um líder temido pelas ovelhas, mas o Pastor que caminha com elas e as chama pelo nome (cf. Jo 10, 3-4). E quer reunir as ovelhas que ainda não habitam com Ele (cf. Jo 10, 16).
Assim é também o sacerdote de Cristo: é ungido para o povo, não para escolher os seus próprios projetos, mas para estar perto do povo concreto que Deus, através da Igreja, lhe confiou. Ninguém fica excluído do seu coração, da sua oração e do seu sorriso. Com olhar amoroso e coração de pai acolhe, inclui e, quando tem que corrigir, é sempre para aproximar; não despreza ninguém, estando pronto a sujar as mãos por todos. O Bom Pastor não usa luvas… Ministro da comunhão que celebra e vive, não espera cumprimentos e elogios dos outros, mas é o primeiro a dar uma mão, rejeitando as murmurações, os juízos e os venenos. Com paciência, escuta os problemas e acompanha os passos das pessoas, concedendo o perdão divino com generosa compaixão. Não ralha a quem deixa ou perde a estrada, mas está sempre pronto a reintegrar e a compor as contendas. É um homem que sabe incluir.
Alegrar-se. Deus está «cheio de alegria» (Lc 15, 5): a sua alegria nasce do perdão, da vida que ressurge, do filho que respira novamente o ar de casa. A alegria de Jesus Bom Pastor não é uma alegria por Si, mas uma alegria pelos outros e com os outros, a alegria verdadeira do amor. Esta é também a alegria do sacerdote. É transformado pela misericórdia que dá gratuitamente. Na oração, descobre a consolação de Deus e experimenta que nada é mais forte do que o seu amor. Por isso permanece sereno interiormente, sentindo-se feliz por ser um canal de misericórdia, por aproximar o homem do Coração de Deus. Nele a tristeza não é normal, mas apenas passageira; a dureza é-lhe estranha, porque é pastor segundo o Coração manso de Deus.
Queridos sacerdotes, na Celebração Eucarística, reencontramos todos os dias esta nossa identidade de pastores. De cada vez podemos fazer verdadeiramente nossas as suas palavras: «Este é o meu corpo que será entregue por vós». É o sentido da nossa vida, são as palavras com que, de certa forma, podemos renovar diariamente as promessas da nossa Ordenação. Agradeço-vos pelo vosso «sim», e por tantos «sins» diários, escondidos, que só o Senhor conhece. Agradeço-vos pelo vosso «sim a doar a vida unidos a Jesus: aqui está a fonte pura da nossa alegria.

fonte: www.zenit.org 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Papa Francisco: “É feio ver cristãos com a cara virada, cristãos tristes, é feio, feio, feio… Não são plenamente cristãos”






Papa Francisco: “É feio ver cristãos com a cara virada, cristãos tristes, é feio, feio, feio… Não são plenamente cristãos”
Homilia do Papa Francisco na Capela da Casa Santa Marta

31 MAIO 2016REDACAOPAPA FRANCISCO
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No último dia do mês de Maria o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao Evangelho da visitação de Maria à sua prima Santa Isabel.

“É feio ver cristãos com a cara virada, cristãos tristes, é feio, feio, feio… Não são plenamente cristãos. Acreditam que são, mas não o são totalmente. Esta é a mensagem cristã. E nesta atmosfera de alegria que a liturgia nos dá de presente, gostaria de ressaltar apenas duas coisas: primeiro, um comportamento; segundo, um fato. O comportamento é o serviço”.

O serviço de Maria é realizado sem incertezas, observou o Papa. Maria, afirma o Evangelho, “se dirigiu apressadamente”, embora estivesse grávida e arriscasse se deparar com malfeitores no decorrer da estrada.

“Esta jovem de 16 ou 17 anos, não mais”, acrescentou Francisco, “era corajosa. Levanta-se e vai”, sem desculpas:

“Coragem de mulher. As mulheres corajosas que existem na Igreja são como Nossa Senhora. Essas mulheres que levam avante a família, essas mulheres que levam avante a educação dos filhos, que enfrentam tantas adversidades, tanta dor, que curam os doentes… Corajosas: levantam-se e servem, servem.

O serviço é sinal cristão. Quem não vive para servir, não serve para viver. Serviço na alegria, esta é a atitude que gostaria de destacar hoje. Há alegria e também serviço. Sempre para servir”.

O segundo ponto sobre o qual o Papa se detém é o encontro entre Maria e sua prima. “Essas duas mulheres – evidenciou – se encontram, e se encontram com alegria”, aquele momento é “só festa”.

Se “nós aprendêssemos isso, serviço e ir ao encontro dos outros, concluiu Francisco, “como o mundo mudaria”:

“O encontro é outro sinal cristão. Uma pessoa que se diz cristã e não é capaz de ir ao encontro dos outros, de encontrar os outros, não é totalmente cristã. Seja o serviço, seja o encontro, requerem sair de si mesmos: sair para servir e sair para encontrar, para abraçar outra pessoa. É com este serviço de Maria, com este encontro que se renova a promessa do Senhor, se atua no presente, naquele presente. E propriamente o Senhor – como ouvimos na primeira Leitura: ‘O Senhor, teu Deus, está no meio de ti” – o Senhor está no serviço, o Senhor está no encontro”. (Com informações Rádio Vaticano)


LEMBRAR É RESISTIR - Ananias Souza - Fruta de Leite (MG)


Em Quinta-feira, 2 de Junho de 2011 1:18, João Renato Diniz Pinto escreveu:

“Santo de casa tem que começar a fazer milagre”

Foi uma conversa bem informal que os missionários da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana e da Comunidade Santa Isabel de Portugal de Fruta de Leite, no Vale do Jequitinhonha (MG), Paróquia Santo Antônio de Salinas, tiveram com os moradores da Comunidade Imaculada Conceição Vida Esperança, uma das áreas que já é atingida pelo Mineroduto do Projeto Alto Rio Parto de Minas, que começa em Grão Mogol e vai até Ilhéus, na Bahia, tudo debaixo da terra através da instalação de uma tubulação que transportará o minério encontrado na região com água.

Em uma apresentação descontraída, o vereador em Fruta de Leite, Aeldivan Pedro da Fonseca, informou qual era o objetivo desta missão cristã, em uma manhã/tarde de terça-feira, 03 de maio de 2011. “A gente tá aqui hoje pra bater um papo com vocês sobre essa questão toda aí que vocês estão vivendo: essa questão da mineração aí, do eucalipto, que a gente sente isso. A gente taqui nesse momento pra isso: o que a gente pode, o que a gente não pode, e também mais pra ESCLARECER também” a população.

Coordenador da Comunidade VIDA ESPERANÇASeu Antônio ainda completou. “Hoje, o que tá acontecendo no meio de nós, é o seguinte: as pessoas hoje tá com aquele tipo que não acredita mais em santo de casa e é por isso, por as pessoas não acreditar mais em santo de casa, que tá pegando, acontece até de nós perder os nossos direitos. E é no causo que... a gente tem que participar, onde tiver uma reunião, a gente tem que participar, porque é lá, na reunião, que a gente entrosa, a gente conversa, a gente dialoga um com o outro... Uma cabeça é boa, mas duas é melhor, três é melhor, uma cabeça vai se informando a outra... Mas, seja bem vindo, né, todos que tão aqui... Seja de bom coração e vai também ter, ouvir e praticar, e também aproveitar da nossa reunião, o que nós deve na reunião é aproveitar bem, porque hoje, quando nós aproveita, é muito bom...”, observou Seu Antônio (Toni).

Da CPT ArquidiocesanaAlvimar Ribeiro dos Santos expôs o seu pensamento e a sua experiência, relacionando tudo com a passagem bíblica da Multiplicação dos Pães. “Então gente... A nossa visita aqui... É um prazer, né, a gente taqui com vocês nesta tarde, dia de trampo, dia de trabalho, a gente tá aqui, não sei se perdendo um pouco de nossos afazeres, mas é aquele negócio, né, a gente tem que trocar as ideia pra gente tá se informando, de fato, o que que nos arrodeia, né... Quando Antônio falou com relação a essa questão de santo de casa não faz milagre, me faz lembrar muito algumas passagens bíblicas, aonde principalmente fala lá da questão quando Jesus sai um pouco... Tem alguém aqui que lê a Bíblia?”, perguntou o coordenador da CPT Arquidiocesana.

Reunida na igreja da comunidade, a assembleia respondeu. “Tem... Tem...”. Alvimar Ribeiro dos Santos explicou o contexto em que o Projeto Alto Rio Pardo de Minas chega à região de acordo com a Parábola da Multiplicação dos Pães. “Então Jesus, quando ele sai um pouco lá pras orações e aí a multidão vai atrás... E lá o pessoal que tava com ele pergunta pra ele que o povo tava com fome... Que que dava pro povo comer e o que ele vai dizer pro povo... Dê de comer a vocês mesmos... Lá tinha só uns pão e uns peixe, né... Se vira! Dá esse povo pra comer! Se vira! Vocês mesmos que se vira! E ainda perguntaram: eu tenho que ir lá na cidade comprar coisa pra dar esse povo pra comer? Não! Vocês é que se vira! Aí o que ele faz. Aquele povo, naquele momento, Frei Betto vai dizer que cada companheiro, companheira que tava ali no meio... na roça sempre, eu já fui trabalhador rural também, sempre a gente chamava de embornal ou capanga, né... Num embornal, cada pessoa levava alguma coisa pra comer: a matumba, a farofa, né... E aí o que que ele faz? Formem grupos de dez, de cada um, isso é interpretação de Frei Betto, e divide entre vocês. E assim eles fizeram! Deu pra todo mundo comer e ainda sobrou aquele monte de cesto! Então o SANTO DE CASA TEM QUE COMEÇAR A FAZER MILAGRE e nós temos que acreditar é no nosso santo de casa. Pode vir um santo de fora dar alguma contribuição, mas tem que saber que tipo de santo de fora que tá chegando, porque pode vir um santo de fora também que, em vez de fazer milagre, vai arrancar um milagre que vocês já teve do santo de casa e levar embora. Então nós temos que começar a aprender a acreditar no santo de casa”, reforçou o missionário.

Morador de Fruta de Leite, em sua apresentação, Ananias de Souza ajudou ainda a esclarecer sobre o Projeto Alto Rio Pardo de Minas. “Estamos trabalhando na organização das famílias pra elas não ser tão prejudicadas”, mencionou. E o coordenador da CPT acrescentou. O Aeldivan, o Ananias, o Toni “são pessoas do município. Eles estão no dia-a-dia da cidade. Conhecem o chão que tão pisando. Então vocês têm que acreditar nessas pessoas! É uma troca de informação que a gente tem que acreditar!”, confiou Alvimar Ribeiro dos Santos.

domingo, 29 de maio de 2016

O que é ser coxinha?

POR Quintino de Quadros Vieira
Pelo amor de Deus, clemência, o que virou uma discussão política. Uns chamam os outros de coxinha, petralha, mendigo. O que ocorre com o Brasil e mundo?
Coxinha, pra mim, é um salgado muito gostoso. Se for ser subjetivo e idiossincrático, coxinha pode ser uma pessoa que emagreceu muito e as gordurinhas ficaram em seu tronco. Olhando diferente, coxinha pode ser uma mulher do busto grande.
A política está acabando com as relações humanas sociais. Nunca tivemos tantas imbecilidades por aí. O que precisamos é que a união faça a força e não só o açúcar. Açúcar dá diabetes (a falta e o excesso).
Quintino de Quadros Vieira é tão só escritor. Autoriza gratuitamente a publicação dos seus textos. E anda muito desanimado com a vida porque a disputa entre os seres humanos virou a disputa de transferência de dor. Mas crê que o amor de verdade e sincero vencerá.

QUE CULTURA É ESTA - Brasil profundo: quando a esquerda perde o rumo e estupra os seus ideais

A esquerda e o estupro

O estupro de uma jovem de dezesseis anos por um bando de mais de trinta criminosos fascistoides recentemente no Rio de Janeiro revolta e repugna a qualquer pessoa portadora de uma gota sequer de senso de humanidade, de solidariedade, de compaixão, de respeito. Neste sentido, merecem citação e louvor as manifestações de repúdio por parte de milhares, talvez já milhões, de pessoas e agrupamentos de algum modo ligados ao pensamento de esquerda no Brasil. Além de agressão física a mais covarde, o estupro materializa da forma a mais cruel um tipo de opressão, no caso contra a mulher, entre as mais brutais que compõem o cotidiano da classe trabalhadora de todo o país – de norte a sul, de leste a oeste.

Sim, da classe trabalhadora. De lado casos minoritários – mas nem por isso desprezíveis –, as vítimas de estupro no país são trabalhadoras. A burguesia e a pequena burguesia não aparecem em dimensão sequer semelhante ao sofrimento da classe trabalhadora nas alarmantes e crescentes estatísticas de da ocorrência de estupro no Brasil. A exemplo, aliás, no que diz respeito às vítimas de crimes de qualquer natureza.

Repetindo: as vítimas de estupro no país são integrantes da classe trabalhadora.

Esta é a chave do problema. É o caminho para resolvê-lo, para de fato resolvê-lo, e não empurrá-lo para as calendas. E é exata e desgraçadamente isto o que tem feito a esquerda não marxista brasileira, ou seja, a imensa maioria da esquerda brasileira, ao caracterizar o crime de estupro como uma questão ‘cultural’ a ser enfrentada centralmente, portanto, no campo cultural. Escorada nas especulações reformistas do socialista italiano Antonio Gramsci – erguido por este neorreformismo à condição de deus incontestável –, esta esquerda pretende infantilmente combater aquela ‘cultura’ com algo próximo a uma ação continuada de contracultura a que dão o nome luta pela hegemonia ou “luta contra-hegemônica”. Ou seja, querem destruir uma cultura opressora sem a destruição prévia das bases materiais desta cultura opressora. Não vão conseguir nunca. Pelo contrário, e aí está seu traço de ingenuidade infantil, objetivamente estarão contribuindo para fortalecer aquilo que pretendem combater.

Uma certa antropologia conservadora, estruturada sobre a degenerada ideologia pós-moderna amplamente prevalecente na academia brasileira (e mundial, diga-se), dá o nome de cultura a todas as manifestações ideológicas relativas a hábitos, costumes, crenças e comportamentos prevalecentes em determinada sociedade. Em si, nada contra a palavra cultura. Mas seu uso atual – pós-moderno – é agressivamente conservador dado que carrega em nosso tempo a conotação de uma valoração positiva, de algo a ser respeitado. Assim, reificam-se as crendices religiosas as mais opressivas, as condições degradantes de vida, a estupidificação da arte. Tudo é cultura, entoa o coro de acadêmicos conservadores, aproveitadores e oportunistas travestidos de progressistas e, até, de revolucionários.

É em todo este quadro que precisamos entender o estupro. E combatê-lo com a firmeza necessária. E é por esta exigência de combate eficaz, concreto, que temos que trazer a barbárie do estupro para o campo da política. Significa isto dizer que temos que identificar, em primeiro lugar, o que origina e o que mantém o estupro enquanto prática em determinadas sociedade e/ou sociedades. Indo à história e à ciência antropológica digna deste nome, podemos verificar com segurança que o surgimento da opressão sobre a mulher é decorrente do aparecimento da propriedade privada dos meios de produção – terras, gado, instrumentos. É daí que surge tal ‘cultura’, que atravessa vitoriosa todas as sociedades de classes conhecidas, da Antiguidade Arcaica até o capitalismo monopolista atual.

Sem qualquer exagero, podemos dizer: o capitalismo atual é estuprador. Isto porque o consumismo desenfreado essencial à reprodutibilidade do sistema implica inarredavelmente o prevalecimento de uma ideologia geral hedonista, esta, fundada em um nível de egoísmo que simplesmente desconhece a existência do outro. Na mesma lógica, o capitalismo joga na lata do lixo o respeito, a solidariedade, a consideração por este outro e, no limite, o amor. É o que afirma o filósofo Herbert Marcuse em seu ensaio “Para a crítica do hedonismo”, que aqui modestamente recomendamos.

Simples então: para destruir o individualismo-hedonismo e, por extensão, o estupro, é preciso destruir o capitalismo.

Mas não temos condições hoje de destruir o capitalismo, contestarão com um pequeno traço de razão os culturalistas, gramscianos e ongueiros em geral. Mas podemos e devemos resistir às agressões cotidianas com que este capitalismo nos explora e nos oprime. É nesta luta direta contra as manifestações concretas do sistema que acumularemos forças para destruí-lo em um futuro próximo ou longínquo, não podemos prever. 

E o primeiro passo no combate direto e atual ao estupro está na exigência concreta de que o estado – sim, este mesmo estado burguês – o reprima. Isso implica pressionar, fundamentalmente através de manifestações, greves e lutas de rua, o estado no sentido de fazê-lo atender às reivindicações dos trabalhadores, na mesma linha que temos que reivindicar um atendimento médico decente, uma educação decente, salários decentes, transporte decente. Conseguiremos tudo isso no capitalismo? Não. Mas podemos obter vitórias parciais capazes, sim, de amenizar nossas condições de vida no cotidiano.

Que tenhamos, pois, claro que a questão da ‘segurança pública” é uma questão que fundamentalmente diz respeito à segurança dos trabalhadores. A burguesia e a classe média alta estão bem seguras em seus condomínios e edifícios de luxo. Estamos portanto diante de uma questão política e enquanto tal devemos enfrenta-la, ou seja, no campo da força, do confronto, da luta de classes, da pressão sobre o estado burguês. Não será com chamamentos inócuos contra a “cultura do estupro” que vamos combater o estupro que vitima concreta e brutalmente milhares e milhares de trabalhadoras a cada dia no Brasil.
 
A luta contra o estupro não é uma luta cultural. É uma luta política.