ALVORADA

O SOL NASCE NO LESTE (VOSTOK) E PÕE-SE NO OESTE (EAST)

Frase

"(...) A história se repete: a primeira vez como tragédia. A segunda e outras vezes como farsa da tragédia anunciada. (...)" Karl Heinrich Marx (05/05/1818-14/03/1883)

Fatos

Gripe espanhola-estadunidense no início do século XX... Coronavírus no início do século XXI... Barragem de rejeitos minerários arrasa Mariana-MG em 05/11/2015... Barragem de rejeitos minerários arrasa Brumadinho-MG em 25/01/2019... Anderson Gomes e Marielle Franco são executados no Rio de Janeiro-RJ em 14/03/2018... Médicos ortopedistas são executados com 30 tiros em 30 segundos em restaurante na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro-RJ... (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...)(...) (...) (...)(...) (...) (...) E por aí vai...

sábado, 19 de agosto de 2017

O "Muro de Berlim" de Montes Claros/MG

Hoje a Estação Ferroviária Central do Brasil (EFCB) e o que ela gerou de riqueza social permanece na memória popular. Privatizada a preço de banana em 1996 pelo presidente metido a sociólogo Fernando Henrique Cardoso (FHC), a EFCB pode, a meu ver, ser considerada neste século XXI o “Muro de Berlim” invisível da maior cidade do Norte de Minas Gerais. A ferrovia que atravessa toda a cidade e toda a região nos fazia sentir mais regional e internacional. Atualmente os trilhos do sertão cortam o município em duas partes distintas: uma mais capitalista, localizada a Oeste, e outra mais socialista, ao Leste. A Avenida Ovídio de Abreu seria o meu ponto de referência. O sol sempre nasce no lado oriental. As casas na localidade, à primeira vista, são até classificadas como de “pior” edificação, contudo ali residem vidas de onde brotam a verdadeira e espontânea cultura alegre humana.

Temos o militar bairro Santa Rita de Cássia, o bairro operário-cultural Morrinhos, o Cintra, o Nossa Senhora de Fátima, o Lourdes, o Monte Alegre, o Alvorada (tem nome mais bonito que este?), o Ipiranga, o Sumaré, a Vila Telma, o Renascença e tantos outros que se desenvolvem à medida que os meios de produção lhe são acessíveis. Na área, há o Batalhão de Polícia Militar, o Trevo da Real com o monumento em homenagem ao sertanejo (a enxada, símbolo do trabalho do homem do campo), igrejas católicas, evangélicas e de outras denominações religiosas, o cadeião e outras obras e empreendimentos comerciais.

Por ali viveram Zé Coco do Riachão e Zé Coquinho, Elthomar Santoro Júnior e muitos outros heróis sociais anônimos. Observe, no relato do livro “Montes Claros: sua história, sua gente, seus costumes”, organizado pelo historiador, folclorista e médico, Hermes Augusto de Paula, edição de 1960, às páginas 34, 35, 37 e 38, como a cidade e todo o Norte de Minas Gerais se modificaram para acolher a chegada de uma nova tecnologia à região.


O MAIOR DIA DE MONTES CLAROS

Mais ou menos em 1889 organizou-se uma sociedade anônima com sede no Rio de Janeiro para se construir uma estrada de ferro ligando Montes Claros a Extrema, no Rio São Francisco - Estrada de Ferro Montes Claros. O concessionário do serviço, tenente coronel Cipriano de Medeiros Lima, o mais importante fazendeiro do Norte de Minas, Barão de Jequitaí, passou seus direitos à sociedade, cujo capital era de três mil contos. Imediatamente os engenheiros foram contratados e se iniciaram os estudos preliminares. A 9 de dezembro de 1890 o serviço de exploração, começando em Extrema chegara a Montes Claros, justamente pelo local por onde penetra na cidade a Estrada de Rodagem de Maria da Cruz, sendo localizada a estação na Várzea (Praça de Esportes).

Diante de tão promissores trabalhos, Montes Claros em peso promoveu uma manifestação aos engenheiros. Logo de madrugada fizeram uma “alvorada” com música e foguetes; à noite organizou-se uma passeata, tendo à frente o jovem intendente - Camilo Prates - que, à porta dos engenheiros, falou em nome do povo. O dr. Teófilo B. Otoni respondeu em nome dos homenageados. E comenta Silvio Teixeira de Carvalho: “Às 10h da noite deu-se início ao baile-monstro”.

Além desta - diz-nos o desembargador Veloso em 1896 - outras vias férreas projetadas têm por objetivo a sede do próspero município; e tais são a estrada de ferro já contratada, de Montes Claros ao Salto Grande e a de Montes Claros a São João Batista.

Entretanto, não sabemos o motivo, tudo fracassou.

As gerações se sucederam e hoje quase ninguém se lembra ou tem conhecimentos daqueles projetos... A Central do Brasil veio se aproximando devagar... devagarinho mesmo, a ponto de satisfazer os otimistas, mas agradar também os pessimistas.

Ora, aconteceu que em 1922 o Ministério da Viação foi ocupado por um filho do Norte de Minas - o Dr. Francisco Sá, que sabia do nosso abandono e das nossas necessidades econômicas. Resolveu por isso nos trazer as paralelas de aço. Era presidente de nossa Câmara o coronel Antônio dos Anjos, que não mediu esforços para facilitar os movimentos em torno da Estrada de Ferro. E muito se ficou devendo à sua atuação.
Desde a aproximação dos serviços de terra, a cidade foi invadida pelos “tarefeiros” e seus auxiliares, não regateando os montes-clarenses os bons trabalhos a esses possíveis benfeitores para os quais se improvisaram inúmeras festas. De vez em quando aparecia aqui um engenheiro mais graduado, que era alvo de atenções especiais, com jantares e bares - Dr.  Xenofonte, Dr. Ajax Correia Rabelo ou Dr. Caetano Lopes, Augusto Catoni, dos quais os montes-clarenses nunca se esquecem com simpatia.

A estação de Bocaiuva ia ser inaugurada em 7 de junho de 1924 com a presença de Francisco Sá, Ministro da Viação, e este prometera visitar Montes Claros. “A vinda do ministro” tomou conta da cidade desde os princípios do ano. A Câmara votou créditos especiais para fazer uma recepção oficial condigna. “É assunto do dia” - escreveu Jair de Oliveira - “no cinema, nos cafés e nas farmácias, onde haja gente e se converse, só se houve esta palestra: a vinda do ministro.

Tudo foi posto de lado. Os banqueiros de bicho quebraram à falta de jogadores. Houve tréguas aos bailes e piqueniques. O futebol, já em caminho, mercê da boa vontade de uma plêiade de rapazes amantes do desporto, foi esquecido. Nos botequins, o consumo de cerveja decresceu. Todos estão trabalhando ativamente. A própria vagabundagem, envergonhada, dando o braço ao tédio do nosso ramerrão, abandonou-os. Há semanas já, mal o sol doira o horizonte, ouve-se o bando garrulo da meninada que trabalha limpando as ruas. E as enxadinhas cantam nas calçadas, entoando um hino de trabalho e alegria. É o bando de menores humildes e dos abandonados que enchiam as nossas esquinas e agora, honradamente, ganham o pão com o suor dos rostos sujos, pequeninos e satisfeitos.

Tudo trabalha e palpita. As brochas dos pintores, num vaivém constante, vão vestindo de novo o casario e o amarelado branco da cidade. Aqui, ergue-se um andaime, onde operários marinham pelos caibros, como um bando de formigas laboriosas. Ali aparelham-se madeiras: os serrotes ringem nas tábuas, acompanhando o bater estridente dos martelos. Acolá, pisam o barro, cessam areia, removem caliças, preparam o cimento, rebocam, limpam, caiam.

E a cidade vai se tornando garrida, faceira, orgulhosa de receber em seu seio o seu grande amigo e benfeitor. Novos automóveis, fonfonando, cruzam as ruas, impregnando-as de um cheiro forte de civilização, enquanto passam carroças entulhadas de seixo de capina.

E à noite, quando as lâmpadas elétricas abrem os olhos faiscantes, atônitos, como se acordassem do seu sono diurno, é intenso o movimento que vai em nosso urbs [cidade, município].

Os armarinhos regorgitam...

Em frente às vitrines, que deitam jorros de luz para as calçadas, param bandos de senhorinhas discutindo enfeites, falando de modas e figurinos, com os narizes colados ao vidro.

Membros das comissões passam angariando donativos. E todos contribuem, satisfeitos e generosos.

Forasteiros de todos os recantos atulham pensões, alugam casas, procuram cômodos.

E a cidade vibra de manhã à noite. Até altas horas ouve-se o martelar dos carpinteiros e o perfume penetrante e bom de madeiras serradas fica envolvendo o ar puro da noite constelada”...

E o ministro não faltou com sua palavra: - no dia 8 de junho daquele ano entrava na cidade uma caravana de automóveis guiados pelo belíssimo Pacard ministerial.

Polidoro dos Reis Figueiredo, na véspera, publicara na “Gazeta” as boas-vindas:      

Aos Drs. Francisco Sá, Daniel de Carvalho, Melo Viana, Alfredo Sá.

Até que enfim se ruma para o Norte
Onde é fértil a terra e a gente é forte...
........................................................................
........................................................................
Aí vêm os ilustres timoneiros
Da Nau do Estado - os ínclitos mineiros
Encher-nos de esperança o coração
Pela glória futura do Sertão.
- Brilhe de novo a terra d’Esmeralda,
Onde a nova bandeira se desfralda,
Com promessas de vida e de trabalho!
E que haja pomos d’oiro em cada galho,
D’oiro branco se alustram as estradas,
E canta a mocidade outras baladas,
Dos tempos bons de Paz, de União e d’Amor!
Haja mel e perfume em toda flor;
Palmas, rumores, lábios em sorrisos,
Em todo olhar de moça um paraíso
Para aqueles que vêm, com nobre anseio
Nesta terra sentir no próprio meio!...

O povo delirou de entusiasmo. A cidade superlotada de hóspedes, pois de todos os municípios do Norte de Minas vieram representações, paralizaram-se tôdas as atividades, concentrando-se as atenções no Ministro e sua comitiva. Foram dois dias ininterruptos de festa; entretanto podemos destacar alguns fatos.

Logo à entrada da cidade, rua Bocaiúva, foi armada um artístico arco, com os dizeres: “Salve. A cidade a seus ilustres hóspedes”. De onde o dr. Sá seguiu a pé entre alas do povo até o prédio onde se hospedaria, situado na avenida Estrela (hoje avenida Coronel Prates), no qual funciona atualmente o Colégio Imaculada Conceição. Aí havia um arco iluminado, com a legenda: “O operariado ao Dr. Francisco Sá”.

À noite houve um banquete de cem talhares, durante o qual as municipalidades do norte brindaram-no com um quadro a óleo da Fazenda Santo André, onde nasceu Francisco Sá, obra prima do pintor Genesco Murta.

Após o banquete deu-se lugar ao baile de gala, no qual, lá pela meia noite, levaram a efeito o que ficou chamado “ato de surprêsa”, constituído de canções regionais, modinhas, acompanhadas ao violão e cantadas por elementos visitantes e gente da terra, acabando de vez com o protocolo, que prejudicava a expressão de alegria. Nesse “ato” os de fora levaram a melhor, pois alguns membros da comitiva ministerial arvoraram-se em poetas sertanejos e compuseram quadras em louvor a Montes Claros, inclusive pelo dr. Francisco Sá:

Eis as quadrinhas que foram cantadas, com a música “O casaco da mulata”:

No portá de Montes Claro
Tão bunita e tão festiva
Todos fica embasbacado
Todos grita: Viva! Viva!

Estribilho
Vem cá morena
Não vou lá não
É Montes Claro
A Princesa do Sertão.

É gente da terra
Antonces, quando se trata
Presos de tanta bondade
Os corações se desata.

Vou dizê a todo mundo
Que na terra existe sim
Uma cidade na quá
A bondade não tem fim.

D’oios pretos, lábios claro
Moça bunita aos punhado
Doutô Pires, com tais óios
Tem ficado atrapaiado.

Os tarefero dos trecho
Uma vorta há de cortá
Doutô Pires perta eles
Prá em Montes Claros chegá!

Rica jóia sertaneja
Hospitaleira, sem pá,
Quando a gente chega nela
Cadê jeito de vortá...

Montes Claro tem feitiço.
Oh, que sodade sem fim!
Exclama por todos nós
O nosso amigo Cotrim.

Quando a gente fôr s’imbora
Todo o dia vai rezá
Prá chega depressa a hora
Que nós possa aqui vortá.

Montes Claros - berra terra
Do sertanejo valente.
Não existe neste mundo
Gente igual à sua gente!...

No dia seguinte a comitiva regressou a Bocaiuva, logo pela manhã, deixando muita saudade e a esperança de novo encontro por ocasião da chegada do primeiro trem a Montes Claros, que seria em 1926.

De fato, a 1º de setembro daquele ano, cá estava entre nós o Ministro Francisco Sá, cognominado de “O nosso melhor amigo”. Com êle vieram muitos dos companheiros da primeira viagem e também senadores, deputados, jornalistas e elementos de destaque da capital federal. O povo em massa encheu a “gare”. Honor Sarmento saudou o grande Ministro e em nome de Sua Excelência agradeceu o nosso conterrâneo Milton Prates.

O Ministro se hospedou no Palácio Episcopal. Como da primeira vez, houve uma “marche aux flambeaux”, queima de profusos e lindos fogos de artifícios; manifestações populares, banquete e baile, tendo sido assentada a pedra fundamental do monumento a Francisco Sá, que se inaugurou solenemente em 16 de outubro de 1932, integrando os festejos do centenário de nossa emancipação política. Falou em nome do grande brasileiro seu filho dr. Carlos Sá que proferiu belíssimo discurso que anos depois ainda era relembrado. Ficou o dia 1º de setembro de 1926 considerado “o maior dia de Montes Claros”, a estrada de ferro, aí estava, facilitando o comércio e as comunicações. Um sonho acalentado havia anos pelos nossos avós, tornara-se naquele dia uma realidade, graças ao ministro sertanejo, que transformou o primitivo ramal em linha tronco: a grande longitudinal.

Polidoro Figueiredo, velho professor, sentiu o despertar das energias adormecidas e seu estro vibrou mais uma vez:

O centro está marcado - é Montes Claros
“O coração robusto do sertão”
Donde o foco de luz se irradiará
Com mais intenso e rútilo clarão.

Vêde: as ruas se alargam, já se entendem
Com novas casarias, que resplandem.
Pela encosta suave da montanha
Que o Rio Verde Grande, fértil, banha.

Automóveis coleiam para o norte
Sem respeito, siquer, ao contra-forte
As Serra do Espinhaço... a máquina apita
E os grandes chapadões do norte agita!

Agora sim, terra sertaneja,
Nova seiva de vida, já poreja,
E da locomotiva o grito acode
Do passado o torpor bate e sacode.

Vai se aumentar a farta sementeira;
Os rebanhos do campo e da lareira,
As chamas do conforto e da alegria!
Há no espaço mais notas de harmonia
E novas esperanças.
   
O centro está marcado - é Montes Claros
A Princesa - o milagre do Sertão
Como o chamou dos filhos seus preclaros
O mais ilustre - d’alma e coração.


Depois da privatização, o Trem do Sertão parou de servir às nossas gentes. Optou por transportar matéria-prima bruta, como o minério de ferro. A urbanidade começava a transformar a vida do povo. A cidade cresceu pelas redondezas dos trilhos sertanejos. Assim como se constroem empresas à margem de rios que são utilizados para receber esgotos dessas mesmas, também são erguidas modestas construções no entorno das ferrovias. Ao mesmo tempo em que trouxe felicidade para a cidade e a região, a EFCB jogou para a “marginalidade” parte dos 400 mil moradores do município, que se amontoam por aí afora.

Em trecho da Ideologia Alemã, Karl Marx e Friedrich Engels nos recordam das necessidades populares. “(...) devemos lembrar a existência de um primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história, a saber, que os seres humanos devem estar em condições de poder viver a fim de fazer história. Mas, para viver, é necessário, antes de mais, beber, comer, ter um teto onde se abrigar, vestir-se, etc. O primeiro fato histórico é pois a produção dos meios que permitem satisfazer as necessidades (...)” humanas vitais.

Para quem minimamente dirige um olhar sobre as Festas de Agosto de Montes Claros, as mais antigas comemorações populares do Norte de Minas Gerais, nota-se claramente que nestas épocas pós-modernas essas festividades são levadas pelos moradores do lado leste da cidade. Em 2017, os festeiros eram originários da Vila Anália, do Renascença e do Cintra. Catopês, marujos e caboclinhos se direcionam todo ano ao cruzeiro da Avenida Coronel Prates para louvar o que lhes tem valido neste vale de lágrimas: Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Divino Espírito Santo. Na labuta do dia a dia, Montes Claros é agitada socialmente.

Três anos antes da privatização da EFCB, a cidade já fervia em protestos. Aqui nasceu o primeiro Grito dos Excluídos. O Plano Real entrava em vigor, mas a realidade pirraçava em continuar perturbadora. Desde o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965) e o Golpe Militar de 1º de abril de 1964, a Igreja católica se aventurava pela Teologia da Libertação. A religiosa irmã Marilda de Souza Lopes participou dessa manifestação na cidade e descreve um pouco aquele instante. “Como nasceu o Grito dos Excluídos? Estávamos no ano em que a Campanha da Fraternidade teve como slogan “Onde moras?”. Os grupos Profeta Isaías e o Juac fizeram visitas em várias favelas, dentre elas os moradores do lixão. Eram 26 barracos de plástico preto. Nas 26 famílias, havia muitas crianças e jovens. As crianças disputavam pedaços de carne que vinham do lixo nos restaurantes com os urubus que avançavam em suas mãos para tomá-los. Depois da visita, fizemos uma reflexão com os jovens que foram ao lixão. Era véspera de 7 de setembro, pensei nas fanfarras que desfilam no dia 7 de setembro e expus meu pensamento de fazer um clamor naquele dia (na parada cívica), fazermos um pelotão com o slogan da Campanha da Fraternidade. A ideia foi bem aceita. Geraldo, do Profeta Isaías, fez as casinhas de plástico preto. Kelly, Kênia, Noé e outros jovens organizaram o pelotão. Ficamos com medo de enfrentar a polícia, conversamos com o padre Antônio Carlos da Silva que deu todo o apoio aos jovens e a nós. Quando a Escola Estadual Dulce Sarmento entrou, nosso pelotão, com seus cartazes de manifestação contrária, aproveitou e entrou também e chegou em frente ao palanque. Combinamos de não dizer nada. Somente mostrar os cartazes. As autoridades, que até então estavam recebendo aplausos, depararam com frases verdadeiras e francas: “O QUE VOCÊS ESBANJAM, FALTA PARA NÓS!!!”; “POLÍTICOS, SEU SALÁRIO É UMA AFRONTA AO POVO”... e outras. A primeira dama sentiu mal e foi para a Santa Casa. No dia seguinte, 08 de setembro de 1993, a primeira página do jornal narrou o fato. Padre Antônio recebeu uma carta desaforada do prefeito. Assim nasceu o Grito. Depois que chegou a Equipe Diocesana de Pastoral, recebeu o nome de GRITO DOS EXCLUÍDOS. Em 1993, foi apenas: “CLAMOR DOS SEM TETO”. Foi no dia 7 de setembro de 1993 que nasceu o “GRITO DOS EXCLUÍDOS” na porta da igreja Nossa Senhora Aparecida do Major Prates, em Montes Claros, Norte Sertanejo de Minas Gerais”, revela irmã Marilda Lopes.


O Grito dos Excluídos vai para a sua 23ª edição em toda a região. Terá como enfoque “Vida em primeiro lugar: por direitos e democracia, a luta é todo dia”, Em 1993, a bandeira de luta unificadora maior foi a moradia. Em 2017, moradores de Montes Claros ainda acampam, desta vez em área urbana entre o Distrito Industrial e a Vila Castello Branco. Só no entorno da praça da matriz, mais de mil pessoas dormem na rua. A sociedade capitalista se desenvolve como nunca, mas os problemas sociais persistem. Muita gente sem casa, muita casa sem gente.

10 dicas do Beato Paulo VI para quem quer evangelizar na internet

10 dicas do Beato Paulo VI para quem quer evangelizar na internet

Paulo VI foi papa de 1963 a 1978 e foi beatificado em 2014.

O papa Paulo VI morreu bem antes das redes sociais se tornarem parte da nossa vida, mas tem muito a dizer sobre evangelizar na internet.

Queridos irmãos e irmas, para viver bem o evangelho de Cristo, nós devemos ser uma pessoa que procura a simplicidade, o amor, o dialogo, a concórdia e a fraternidade. É ser um discípulo da paz que encurta distancias e constrói pontes. A verdade de Deus não é para promover guerras e discórdias, mas a busca da união que transforma as pessoas. O mundo precisa de correntes do bem que propagem a boa nova a todos. Deus nos ama e nos quer que seja porta voz do seu amor que traz vida em abundancia. Que as nossas posições sejam abertas e acolhedoras das pluralidades que o mundo promove. Somos diferentes de cada, mas isso não pode nos separar diante do irmão que faz a interlocução conosco. Que as dicas do nosso saudoso Beato Paulo VI nos ajude a iluminar as nossas decisões e promovem verdadeiras amizades que brotam no respeito mutuo na simplicidade e na procura da verdade de Deus no mundo, nas nossas vidas e na comunidade em que vivemos. (Bacharel em Teologia Jose Benedito Schumann Cunha)

Paulo VI foi papa de 1963 a 1978 e foi beatificado em 2014.
Quando o papa Paulo VI morreu, em 1978, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, não tinha nem nascido. O primeiro papa a falar de redes sociais, como é compreensível, foi Bento XVI. Mesmo assim, o papa que presidiu a maior parte do Concílio Vaticano II tem muito a ensinar para os católicos que desejam evangelizar na internet.

Afinal, quer nas redes, nos outros meios de comunicação social ou num encontro presencial, o que está em jogo é sempre o contato entre pessoas, cada uma com a sua história e cada uma amada por Deus.

A primeira encíclica de Paulo VI, Ecclesiam Suam, escrita ainda em pleno concílio, contém várias diretrizes para que o empenho evangelizador da Igreja seja vivido com fidelidade à sua fé em um Deus que se revelou como Amor pleno e incondicional – e seja de fato testemunho e não uma ideologia a mais na praça. Confira:

1. As verdades divinas não devem ser “espada para dividir os espíritos, em discussões estéreis ou em cisões fastidiosas, mas laço para os unir e os levar a maior clareza e concórdia” (ES 13). O cristão busca a comunhão onde quer que ela seja possível e não empunhar verdades de uma maneira que só faz os outros se afastarem cada vez mais da fé.

2. É preciso pôr mais a confiança em Deus que nos meios materiais. A vivência da pobreza ensina-nos a avaliar de forma mais acertada a realidade e testemunha a primazia da ação de Deus e a força intrínseca de sua Palavra (ES 30-31).

3. “É necessário dar finalmente à caridade o lugar que lhe compete: o primeiro, o mais alto na escala dos valores religiosos e morais, não só na estimativa mas também na prática da vida cristã” (ES 32). Não se deve atenuar a centralidade do amor na vida cristã, reduzindo-o a uma teoria que permite que nos comportemos com grosseria e falta de misericórdia.

4. O cristão deve se aproximar do mundo “com toda a reverência, cuidado e amor, para o compreendermos, para lhe oferecermos os dons de verdade e de graça de que Jesus Cristo nos constituiu depositário” (ES 40). É preciso procurar entender, com empatia, compreensão e humildade, de onde fala o nosso interlocutor e quais as suas razões, descobrindo os elementos de verdade presentes em sua visão (ES 48).

5. Como Deus quer ser conhecido? Ele se revelou como Amor. Como quer ser servido por nós? Pelo amor (ES 41). Quando, ao defender a doutrina da Igreja, agimos contra o amor ao próximo, não é a fé cristã que estamos testemunhando.

6. É preciso ter paciência e saber que cada pessoa tem seu tempo. “O diálogo da salvação conheceu ordinariamente graus, progressos sucessivos, humildes princípios antes do resultado pleno. Também o nosso atenderá às lentidões da maturação psicológica e histórica, e esperará a hora da eficácia que lhe vem de Deus” (ES 44).

7. O diálogo evangelizador “exclui a condenação apriorística, a polêmica ofensiva e habitual, o prurido de falar por falar” (ES 46). Não se deve julgar as intenções do outro, rotulá-lo, condená-lo. É preciso ter em conta o caminho pelo qual cada um vai apreendendo a verdade e manifestando-a em suas opiniões e confiar que dentro de cada um existe o desejo de verdade e de amor.

8. O zelo apostólico nos impele a “rever todas as formas da nossa linguagem: para examinar se ela é compreensível, popular e digna” (ES 47). Quando falamos de salvação, pecado e graça, estamos sendo compreendidos ou estamos falando para as paredes? Como falar dessas noções de um modo claro? O diálogo da salvação “não se prende a vãos apriorismos nem se fixa em expressões imóveis, quando estas tenham perdido o poder de interessar e mover os homens” (ES 48).

9. O diálogo da evangelização “é pacífico, evita os modos violentos, é paciente e é generoso” (ES 47). É preciso parar de justificar palavras agressivas com o pretexto de que é por amor ao próximo, só porque estamos buscando a sua salvação. O amor de Deus por nós é afável e terno, paciente e misericordioso, e assim deve ser o nosso.

10. Não se deve criar uma barreira entre nós e o mundo, como se ser cristão fosse ser membro de uma casta. “Não é de fora que salvamos o mundo; assim como o Verbo de Deus se fez homem, assim é necessário que nós nos identifiquemos, até certo ponto, com as formas de vida daqueles a quem desejamos levar a mensagem de Cristo, é preciso tomarmos, sem distância de privilégios ou diafragmas de linguagem incompreensível, os hábitos comuns, contanto que estes sejam humanos e honestos, sobretudo os hábitos dos mais pequenos, se queremos ser ouvidos e compreendidos” (ES 49).

Por Felipe Koller

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

XXIII Grito dos Excluídos - Informes

Arcebispo incentiva brasileiro a comer sal

Desde sua posse como arcebispo metropolitano de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, há 10 anos, é comum ouvir dom José Alberto Moura fazer uma brincadeira séria ou trocadilho bem humorado ao comentar os problemas sociais do Brasil. Para ele, o brasileiro deveria comer muito sal para aumentar a pressão... não a arterial... a pressão social sobre os políticos, empreiteiras e multinacionais que mandam e desmandam em assuntos internos nacionais ao longo da história como se a nação fosse a casa de Pedro: quem quer mete o dedo!

Semelhante comparação fazia o bispo emérito de Duque de Caxias, dom Mauro Morelli, em entrevista ao jornal “Pasquim 21”, extinto. Ele dizia que se o povo brasileiro fosse menos bonzinho, já teria feito Brasília/DF ferver há muito tempo. Os brasileiros ainda não queimaram a capital federal, mas o ministro da Fazenda, Rui Barbosa, que batiza com o seu nome ruas em muitas cidades do país e divulgado como símbolo de homem público honesto, em 1890, “manda queimar todos os documentos sobre o período escravocrata brasileiro”, dois anos após a abolição da escravidão pela princesa Isabel. Rui Barbosa é retratado ironicamente na charge “Os Últimos Vestígios da Escravidão”, de Ângelo Agostini, publicada na revista “Ilustrada” e reproduzida no livro “Retrato do Brasil: da Monarquia ao Estado Militar, Volume 1, Ano 1984.

Machado de Assis declarava que “o Brasil real é bom, revela os seus melhores instintos e o Brasil oficial é caricato e burlesco”, citava o paraibano Ariano Suassuna ao se referir aos horrores cometidos pelo recém instituído exército republicano contra o Arraial de Canudos/BA em 1896 e 1897.  Bastantes conflitos localizados sempre ocorreram pelo Brasil ao longo da sua história contra o poder dominante. A maioria foi combatida até ser totalmente eliminados quaisquer focos de resistência.

No final do século XX e início deste século XXI, é organizado pela Igreja católica há 23 anos o Grito dos Excluídos, que quer andar na contramão da história oficial e ser o protesto da gente oprimida pela sociedade intimista que subjuga desde 1500 no maior país da América do Sul. Em Montes Claros/MG, militantes se uniram para reivindicar pelo direito à moradia em 1993. Em 2017, manifestantes ocupam área nas proximidades da Vila Castelo Branco e Distrito Industrial para solicitar o mesmo direito constitucional.

Em carta endereçada a padres, diáconos e agentes de pastoral, datada em 09 de agosto, dom José Alberto Moura é direto. “Solicito que convidem e motivem fieis, além de vocês, para participarem do Grito dos Excluídos e Excluídas”, que acontecerá na Praça da Matriz, às 7h30min, do dia 07 de setembro. Ali, hoje, mais de mil moradores de rua residem e são assistidos pela Pastoral do Povo de Rua. No município, é notório o aumento significativo de moradores por todos os cantos da cidade. Este ano, o Grito dos Excluídos enfoca “Vida em Primeiro Lugar: por direitos e democracia a luta é todo dia”.

“Os direitos e os avanços democráticos no Brasil conquistados nas últimas décadas são fruto de lutas populares. Exemplo disso foi a significativa participação da sociedade civil no debate para a elaboração e promulgação da Constituição Federal de 1988, o que contribui para a criação de novas leis, estatutos, bem como para o surgimento de espaços de participação popular. Embora muitas leis que garantam direitos sociais tenham sido regulamentadas, correm o risco de serem retiradas”, analisa dom José Alberto Moura na carta chamativa para o 23º Grito dos Excluídos.

“(...) Aqui em Montes Claros são 24 anos de realização do Grito. Por isto, é importante a organização dos grupos de periferia, dos grupos de base, das pastorais e movimentos sociais. Vamos nos unir neste momento na defesa dos direitos e da democracia, porque estas são lutas de todos os dias e não podemos nos calar neste momento”, convoca o arcebispo e anima.

“Ajudem a organizar as pessoas para participarem no dia 07 de setembro do Grito e entre os dias 1º e 06 de setembro. Serão vários os momentos de debates e mobilização. Ajudem a mobilizar e venham fazer parte deste momento”, motiva na carta convocatória do dia 09 de agosto.

As pastorais e movimentos sociais da cidade se preparam desde o início do ano para este Grito. Nesta terça-feira (15/08), encontraram-se representantes das Irmãs Franciscanas Missionárias Diocesanas da Encarnação, da Cáritas Arquidiocesana, da Comissão Pastoral da Terra, do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais (CAA-NM), do Regional Norte do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), do Regional Norte do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG), do Sindicato dos Servidores Municipais, do Levante Popular da Juventude, dentre outros organismos de ação social, para traçar as últimas estratégias de mobilização para o protesto do dia 07/09.

Antes, em 18/08, está agendada manifestação contra a privatização da Usina de São Simão, no Sul de Minas Gerais. No dia 21/08, acontecerá Roda de Conversa entre as Pastorais Sociais. Também nesse dia, às 18h, está marcada Roda de Conversa na Fundação Fé e Alegria. No dia 22/08, às 18h, a Roda de Conversa será no Sindicato dos Servidores Municipais.


Haverá no dia 02/09, das 8 às 12h, na Escola da Saúde da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Seminário dos Movimentos Sociais para trabalhar análise de conjuntura política-econômica-social e estudo dos eixos saúde, educação, previdência, terra, trabalho, moradia, água, mídia e violência.     

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Marchemos para a vitória!

Em frente, Venezuela!


A instalação da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela na sexta-feira passada 04 de Agosto de 2017 alça a luta de classes naquele país ao patamar mais elevado de uma situação revolucionária. Renasce depois de muitos e muitos anos o brilho da estrela proletária não apenas na Venezuela, mas também em toda nossa América Latina. Surge um novo tempo. No horizonte, a luz fulgurante do sol da revolução dos trabalhadores.

A conjuntura revolucionaria que se abre traz a marca decisiva de um nível de radicalização das lutas que se concretiza claramente em uma polarização qualitativa em que as forças sociais fundamentais das sociedades capitalistas, burguesia e proletariado, se postam no ringue da história para uma luta de vida ou morte. Uma luta da qual restará de pé apenas um dos contendores. Uma luta entre socialismo e barbárie.

São seguramente mais cruentos alguns dos combates atualmente travados contra e pelos trabalhados no cenário mundial, despontando como exemplo maior o morticínio levado a efeito pelo imperialismo na Síria. Nenhum deles, no entanto, assume a dimensão de uma luta aberta entre socialismo e capitalismo como o que se desenvolve agora na Venezuela. Esta é a questão central. Rigorosamente, podemos falar que o último embate desta natureza ocorrido na América Latina foi a Revolução Cubana. Tivemos, é verdade, lutas extremamente radicalizadas no Brasil em 1964, no Peru de Alvarado de 1968, no Cordobazo argentino de 1969, na Bolívia de Torres em 1972 e, significativamente, no Caracazo venezuelano de 1989. Mas em nenhuma destas gloriosas e heroicas batalhas travadas pelos trabalhadores a revolução socialista surgira no horizonte como possibilidade concreta. Como na Venezuela bolivariana de hoje.

Em síntese: o socialismo está firmemente instalado nos corações e mentes dos proletários venezuelanos. E que no interior deste proletariado se inclua a Força Armada Nacional Bolivariana, formada por cinco segmentos: os tradicionais Exército, Marinha e Aeronáutica acrescidos da Guarda Nacional Bolivariana e da Brigadas Bolivarianas, estas compostas por civis devidamente treinados e equipados pelo Exército. No total, cerca de 500 mil homens – e também mulheres – em armas. Armas novas, diga-se, sofisticadas e equipadas com a mais alta tecnologia disponível. Enfim, se a burguesia decidir partir para o confronto militar direto, que não vá pensar em tomar doce da mão de criança. Não se equivoquem, como costumava alertar o Comandante Hugo Chávez, o gênio político que arquitetou e montou todo o movimento bolivariano – que agora se coloca a postos para o grande salto revolucionário em direção à criação de um estado de trabalhadores, só de trabalhadores. E de uma economia socialista, de uma educação socialista, de uma sociedade socialista, enfim, direcionada à superação das classes sociais, da diferença social entre os homens. De uma sociedade em que não haja nem exploradores nem explorados, uma sociedade de homens e mulheres iguais – como afirmou o constituinte Fernando Soto Rojas ao abrir o evento de instalação da Assembleia Nacional Constituinte sexta-feira passada.

A todos aqueles verdadeiramente dedicados à libertação do proletariado, nos quatro cantos mundo, cabe o apoio decisivo e incondicional à Assembleia Nacional Constituinte (ANC). Omitir em este apoio ativo – como o fazem reformistas e gramscianos –, repetindo a rasteira argumentação de burgueses e imperialistas de que a ANC não é democrática, expressa não mais que o velho e conhecidíssimo vício pequeno-burguês da vacilação oportunista. Esperar pra ver no que vai dar para, no final, se acomodar junto aos vencedores. A estes oportunistas, os marxistas só podemos alertar: decidam agora de que lado estão ou se calem para sempre. Seu apoio meia-boca só faz o jogo da burguesia. Os muitos entre gramscianos e reformistas tradicionais que se declaram abertamente contra a ANC só podemos declará-los, e tratá-los como tais, inimigos do proletariado.

Os trotsquistas, em sua quase absoluta totalidade, que desde sempre se posicionaram furiosamente contra o bolivarianismo e o chavismo, se voltam agora com a mesma e costumeira fúria contra a ANC venezuelana. Algumas das correntes trotsquistas chegam a declarar pomposamente, com pose de proprietárias da revolução proletária mundial, que o bolivarianismo é bonapartista, fascista portanto. Isso seguramente em razão primeira do doentio messianismo essencial aos trotsquismos, do próprio Trotsky a um certo José Posadas e seus discos voadores. O fato é que o trotsquismo – morenistas, lambertistas e mandelistas, entre os principais – jamais consideram legítimo, revolucionário, qualquer movimento, onde quer que exista, que não seja dirigido por eles. Trotsquistas, reformistas clássicos e gramscianos portam visceralmente, por princípio de método e programático, um desprezo irrecuperável ao conceito marxista-leninista de conjuntura, o que os faz simplesmente desconhecer a concretude das lutas de classes. Gramsci, por achar que o mundo vive tempos finais de extinção gradual do capitalismo, que teria chegado ao apocalipse da contradição antagônica viva entre os meios de produção e as forças produtivas. Uma deturpação grosseira, banal e mecanicista da principal tese da Introdução da Crítica da Economia Política, de Marx. Os trotsquistas, por seu lado, rezam fielmente o catecismo Programa de Transição, escrito por Trotsky em 1938, segundo o qual o capitalismo teria ingressado desde então em uma fase de crise estrutural impeditiva da reprodutibilidade do próprio sistema. Uma deturpação grosseira, banal e mecanicista da teoria marxista das crises capitalistas exposta e desenvolvida por Marx em O Capital.

Assim, de braços e corações dados, trotsquistas e reformistas-gramscianos são incapazes de ver a realidade concreta. Não conseguem ver o bolivarianismo. O bolivarianismo, sabe-se, tem suas origens mais recentes no Movimento Revolucionário Bolivariano-200 (MBR-200), criado com base principal no interior do Exército venezuelano pelo então Tenente Hugo Rafael Chávez Frias em 1982. O MBR-200, por sua vez, tem sua origem mais próxima no EBR-200 (Exército Bolivariano-200), criado em 1977 adotando em sua sigla uma referência aos duzentos anos de nascimento de Simon Bolívar. Em 1997, Hugo Chávez cria o MVR(Movimento Quinta República), pelo qual é eleito presidente da República em 1999. Em 2007, Chávez funda o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), ampliando as bases sociais do movimento bolivariano.

De maneira geral é possível definir o bolivarianismo como um movimento de raízes nacionalistas, na atualidade uma socialdemocracia radicalizada. Mas é decisivo enfatizar as profundas raízes do bolivarianismo na formação social venezuelana tal como esta se constituiu. A liderança de Simon Bolívar nas lutas de independência do país frente ao império espanhol implicou diferenças importantes em relação aos demais países em que se desenvolveram lutas semelhantes. Bolívar, tanto na formação de seus exércitos como na configuração de seus programas, incorporou bases proletárias (escravos e indígenas), o que deu um caráter social à sua luta para além dos acordos palacianos das velhas oligarquias que ‘libertaram’ as Américas. Na realidade, seu sonho de uma América unida e justa, na linha de uma socialdemocracia adaptada ao tempo, não frutificou. O projeto de Bolívar acabou derrotado, como o foram os projetos semelhantes liderados por José Maria Morelos no México e por José Gaspar Rodríguez de Francia no Paraguai. Assim como não frutificou materialmente – mas deixou marcas ideológicas no exército venezuelano – o movimento de libertação nacional conduzido pelo general Ezequiel Zamora ainda na primeira metade do século XIX.

Evidentemente não se pode supor que o bolivarianismo seja marxista. Mas, de outro lado, não se trata de alguma especulação cerebrina de quem quer que seja. O que fez a genialidade política de Chávez – um revolucionário à altura de um Lênin, não hesitamos em afirmá-lo – foi incorporar toda esta herança histórica em um movimento e adicionar toda a rebeldia proletária presente na insurreição proletária de fevereiro de 1989 conhecida como Caracazo. Que não se esqueçam, claro, como fator igualmente determinante da natureza do bolivarianismo, as duras lutas de classes que marcam a história venezuelana, inclusive um poderoso movimento guerrilheiro que mobilizou o país na década de 1960 e cuja ideologia de combate também hoje se faz presente.

O bolivarianismo, pois, desempenha um papel concreto e insubstituível de radicalizar as lutas de classes na linha da revolução socialista proletária na Venezuela – e na América Latina, acrescente-se. A história recente já o provou. E a instalação da Assembleia Nacional Constituinte, proletária e bolivariana, o comprova.

Como diria Castro Alves, o poeta dos escravos, a Constituinte coloca a Revolução Bolivariana em um patamar histórico em que não pode parar. Voltar é morte. Só lhe resta marchar.
Venceremos!

Movimento Marxista Cinco de Maio

domingo, 13 de agosto de 2017

Papa: a fé em Cristo nos dá segurança, apesar de nossas misérias e fraquezas

Papa: a fé em Cristo nos dá segurança, apesar de nossas misérias e fraquezas

Papa Francisco no Angelus deste domingo - AFP

Queridos irmãos e irmãs, a nossa vida é marcada de muitas coisas boas e más. Tudo isso está na nossa existência e eles surgem em nós devido a própria natureza do ser humano. Jesus vem até nós para mostrar que estas coisas se tornam transformadas pela sua presença. Jesus nos dá segurança se nós tivermos fé em Cristo. 

É ele que nos dá uma direção segura para a vida em comunhão com Ele até eternidade. Se estivermos em oração, atentos na escuta da Palavra de Deus e no fortalecimento que vem da Eucaristia, tudo isso nos tornamos fortes e corajosos para prosseguir esta jornada rumo ao céu. 

Não precisamos ter medo quando a barca tem Jesus e os que querem seguí-Lo. Esta barca é a Igreja e autoridade de Pedro que foi dada por Jesus, hoje é o papa que nos dá a segurança certa para que possamos ter fundamentos da nossa  fé em Cristo. (bacharel em Teologia Jose Benedito Schumann Cunha)

Cidade do Vaticano (RV) - “A fé não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”: foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo, XIX do Tempo Comum, no habitual encontro dominical no qual rezou, ao meio-dia, a oração mariana com fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração do Angelus, o Santo Padre destacou a página do Evangelho do dia (Mt 14,22-33), que descreve o episódio de Jesus que, após ter rezado toda a noite à margem do lago da Galileia, se dirige rumo à barca de seus discípulos, caminhado sobre as águas.

A barca encontra-se no meio do lago – observa o Pontífice – parada, sem poder avançar, impedida por um forte vento contrário. Quando veem Jesus caminhando sobre as águas, os discípulos confundem-no com um fantasma e se amedrontam.

Mas Ele os tranquiliza: “Coragem, sou eu, não tenhais medo”. Pedro, com seu típico ímpeto, lhe diz: “Senhor, se és tu mande que eu vá ao teu encontro sobre as águas”; e Jesus o chama “vem!”, prosseguiu Francisco descrevendo a cena narrada pelo evangelista.

Descendo da barca, Pedro caminha sobre as águas e vai ao encontro de Jesus, mas, sentindo o vento, fica com medo e começa a afundar. Então grita: “Senhor, salva-me!”, e Jesus lhe estende a mão e o assegura.

Esta narração do Evangelho contém um rico simbolismo, afirmou o Papa, “e nos faz refletir sobre a nossa fé, quer como indivíduos, quer como comunidade eclesial, também a nossa fé de todos nós que estamos aqui, hoje, na Praça”, frisou. A comunidade, esta comunidade eclesial, tem fé? Como é a fé de cada um de nós e a fé da nossa comunidade? – perguntou Francisco.

“A barca é a vida de cada um de nós, mas é também a vida da Igreja; o vento contrário representa as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro: ‘Senhor, manda que eu vá ao teu encontro!’ e o seu grito: ‘Senhor, salva-me!’ se assemelham muito ao nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos mais duros da nossa vida e das nossas comunidades, marcadas pela fragilidades internas e pelas dificuldades externas.”

Não foi suficiente para Pedro, naquele momento, a palavra segura de Jesus, que era como a corda lançada à qual agarra-se para enfrentar as águas hostis e agitadas.

“É aquilo que pode acontecer também conosco. Quando não se agarra à palavra do Senhor, para ter mais segurança se consultam horóscopos e cartomantes, se começa a ir para o fundo. Significa que a fé não é tão forte”, observou o Santo Padre.

O Evangelho deste domingo nos recorda que “a fé no Senhor e na sua palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo; não nos poupa das tempestades da vida”, destacou.

“A fé nos dá a segurança de uma Presença, a presença de Jesus que nos impele a superar os vendavais existenciais, a certeza de uma mão que nos agarra para ajudar-nos a enfrentar as dificuldades, indicando-nos o caminho inclusive quando é escuro. A fé, em suma, não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”, frisou o Papa.

Esse episódio é uma imagem estupenda da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca que, ao longo da travessia, deve enfrentar também ventos contrários e tempestades, que ameaçam devastá-la, acrescentou.

“O que salva não são a coragem e a qualidade de seus homens: a garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua palavra. Essa é a garantia: a fé em Jesus e na sua palavra. Nessa barca estamos seguros, apesar das nossas misérias e fraquezas, sobretudo quando nos colocamos de joelhos e adoramos o Senhor, como os discípulos que, no final, ‘se prostraram diante d’Ele, dizendo: ‘Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!’

Que belo dizer essa palavra a Jesus, disse o Papa Francisco convidando os presentes a repeti-la. “Que a Virgem Maria nos ajude a continuar firmes na fé para resistir aos vendavais da vida, a permanecer na barca da Igreja evitando a tentação de subir nos barcos fascinantes, mas inseguros da ideologias, das modas e dos slogans.” (RL)

sábado, 12 de agosto de 2017

Quando Deus está presente nós teremos coragem sempre

Quando Deus está presente nós teremos coragem sempre


 Barco de Jesus e Pedro

Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando nesse domingo o 19º Domingo do Tempo comum. Quando Deus está conosco nós vamos ter sempre a coragem de enfrentar situações e problemas, pois Ele é que vai dar direção aos nossos projetos e desafios que a vida nos oferece. Hoje celebramos o dia dos pais e que este dia possamos orar por todos eles que possam ter alegria de orientar bem seus filhos para a vida em abundância com Deus. Jesus andando pelas águas nos indica que Ele está acima dos problemas para mostrar que quando Ele vem até nós, nos ajuda a superá-Los, pois Ele é maior e nos ampara sempre.

A liturgia bíblica  nos ajuda a entender a presença de Deus na nossa historia e na Igreja. Deus sempre toma iniciativa e se revela para nós. É preciso que tenhamos fé.

No Livro do Primeiro Reis Deus se revela numa brisa leve e suave e nunca de modo impetuoso ou de modo de dar medo a pessoa que quer vê-LO.

Aqui temos Elias que estava cansado e amedrontado pela perseguição de morte por Jesabel. Então ele fugiu e foi em direção ao Monte Horebe, o mesmo onde Moises teve o encontro com Deus. Ele acreditava que Deus se manifestaria no vento, no fogo ou no terremoto, mas Deus quis se revelar por uma brisa suave e leve. Ali ele pode ter a experiência e o encorajamento para continuar a sua missão de profeta. Deus nunca se impõe. É na tranquilidade e serenidade que Deus nos fala e a sua Palavra vem ate nós de modo tranquilo para que possamos com ela agir como um porta voz de Deus.

Deus fala assim ao nosso coração e nos dá a direção certa para vivermos nesse mundo com Ele de modo pleno e abundante até a eternidade. (1Rs 19,9a.11-13)

Na carta aos romanos Paulo nos fala que Deus revelou-se a humanidade, oferecendo uma proposta de Salvação ao seu Povo, mas esse a rejeitou. Deus tem paciência e nunca se impõe, mas espera que a gente livremente aceita a sua vontade que é sempre boa para nós. (cf. Rm 9,1-5)

O evangelista Mateus nos fala da experiência que os apóstolos tiveram no mar agitado, mas alguém surgem andando pelas aguas, esse era Jesus. No inicio desta visão deu medo a eles, mas Jesus fala não tenha medo, sou Eu. Pedro insiste em dizer: se é você então deixa ir caminhando até vós. Assim foi feito, Pedro começa andar, mas teve medo, pedindo socorro e Jesus pede dê-me a sua mão e o amparou, dizendo homem de pouca fé. Quando Jesus entra na barca, o mar fica calmo, então todos disseram: tu és verdadeiramente Filho de Deus. (cf Mt 14,22-33)

Esta passagem nos mostra que a barca é a Igreja, Jesus é a cabeça dela e Pedro, que hoje é representado pelo papa é timoneiro que a dirige. Quando temos Jesus em nossa vida e a voz da Igreja nos dando a direção nós podemos caminhar seguro e sem medo, construindo aqui um reino de Justiça, de verdade, de partilha e de misericórdia para todos até chegarmos ao reino definitivo prometido por Jesus para todos que O seguem. Embora pode surgir momentos de tribulação como Ele mesmo nos exortou: “haverá tribulação” Mateus 24:21, mas seremos sempre capazes de superar todos os obstáculos e problemas desde que estejamos firmes na fé,  na oração e caminhando sempre com Cristo na Eucaristia e na sua palavra.

As dificuldades e as tempestades da vida são diluídas pela presença de Jesus que é sempre fiel ao homem. Que esta liturgia nos ajude a procura Jesus no silencio do nosso coração e não aos ruídos que atrapalham de percebermos que Jesus está sempre ao nosso lado, encorajando a caminha de modo seguro e sem medo nesse mundo em vista da eternidade feliz.

Da pacem, Domine, in diebus nostris. Dá paz, ó Senhor, em nosso tempo.


Tudo por Jesus nada sem Maria!

Bacharel em teologia Jose Benedito Schumann Cunha

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

“Fraternidade e políticas públicas” é o tema da CF 2019

“Fraternidade e políticas públicas” é o tema da CF 2019


Brasília (RV)) - Os bispos do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheram, na manhã desta quarta-feira, 09, o tema da Campanha da Fraternidade 2019. Após empate com outra proposta, foi escolhido – por seis votos a quatro – o tema “Fraternidade e políticas públicas”.

A discussão a respeito da questão foi iniciada na manhã de terça-feira, logo no início da reunião do Conselho. A partir de 98 sugestões, enviadas por dioceses, regionais e órgãos governamentais, entre eles a Polícia Rodoviária Federal, os bispos chegaram a sete eixos temáticos postos em votação: políticas públicas, trânsito, comunicação, família, educação, direitos humanos e fraternidade.

Após retomarem o debate e destacarem elementos importantes relacionados a cada temática, além da pertinência da reflexão no contexto social do Brasil, os bispos propuseram o título completo do tema para votação. Receberam votos as seguintes indicações: “Fraternidade e política públicas”, 
“Fraternidade: políticas públicas e direitos humanos” e “Trânsito: respeito à vida”.

A proposta vencedora ganhou peso com argumentos que destacavam que “políticas públicas” é um tema mais abrangente e envolve todas outras propostas apreciadas pelos membros do conselho, como direitos humanos e sociais, família, educação, trânsito e comunicação. (SP-CNBB)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Papa: que não se repitam esses crimes vergonhosos em locais de culto

Papa: que não se repitam esses crimes vergonhosos em locais de culto

Queridos irmãos e irmãs, a intolerância e a maldade que está sendo praticados no mundo inteiro por questões ideológicas, religiosas, politicas e raciais tem ofuscado o ser humano. Nós somo filhos e filhas de Deus independente de raça, credo e posições religiosas e políticas. As pluralidades de pensamentos e ideias não podem ser tomadas com rigidez sem dialogo com as partes.

É uma contribuição ao ser humana e a sociedade ganha com isso. Se houver uma sociedade de iguais a vida se torna e cura e sem brilho. A beleza está nas diversidades de ideias, comportamentos e atitudes que dá um brilho ao ser humano. A barbárie nunca pode ser aplaudida por esse grupos armado que se espalham pelo mundo como foi esse triste acontecimento e de alguns países que quer que o autoritarismo de posições e ideias sejam como regra para todos. Que Deus possa intervir nesse mundo dando uma área de paz, concórdia e de misericórdia para com aqueles que não acompanham o outro. (bacharel em Teologia José Benedito Schumann Cunha - jbscteologo@gmail.com)



Papa classificou como "vergonhosos" crimes praticados em locais de culto, onde os fiéis se reúnem para rezar - ANSA


Cidade do Vaticano (RV) – Antes de saudar os peregrinos italianos ao final da audiência, o Papa Francisco recordou os atos de violência contra os cristãos na Nigéria e na República Centro-Africana:


“Fiquei profundamente entristecido pela tragédia ocorrida no último domingo na Nigéria, dentro de uma igreja, onde foram mortas pessoas inocentes. E infelizmente esta manhã chegou a notícia de violências homicidas na República Centro Africana contra a comunidade cristã. Faço votos de que cesse toda a forma de ódio e de violência e não se repitam mais crimes assim vergonhosos, perpetrados em locais de culto, onde os fiéis se reúnem para rezar”.

"Pensemos nos nossos irmãos da Nigéria e da República Centro-Africana e rezemos por eles todos juntos....Ave Maria...".

No último domingo, durante a celebração de uma Missa na Igreja de Saint Philips em Ozubulu, sudeste da Nigéria, alguns homens armados entraram no templo atrás de um “barão da droga”. Depois de tê-lo atingido, na fuga passaram a disparar contra os fiéis.

Segundo o Bispo da Diocese nigeriana de Nnewi, Dom Hilary Paul Odili Okeke, os mortos são 13 e os feridos 26.

Em um telegrama enviado na segunda-feira, o Papa se disse “profundamente entristecido ao tomar conhecimento da perda de vidas e os ferimentos causados pelo violento ataque”, “estendendo o seu sentido pesar a todos os fiéis da Diocese de Nnewi, em particular às famílias dos mortos e a todos aqueles que foram atingidos pela tragédia”. (JE) 

domingo, 6 de agosto de 2017

Aparecida: o Papa Francisco envia carta aos jovens brasileiros

Aparecida: o Papa Francisco envia carta aos jovens brasileiros

Procissão dos jovens con Nossa Senhora Aparecida

Francisco diz que Maria é um sinal de esperança e que conhece os desafios vividos pelos jovens

1 AGOSTO 2017 REDAÇÃO PAPA FRANCISCO

 Procissão dos jovens con Nossa Senhora Aparecida


(ZENIT – Roma).- O Papa Francisco enviou, uma carta aos jovens brasileiros no encerramento do projeto Rota 300, que encerrou dia 29 julho com uma grande festa no Santuário Nacional de Aparecida (SP). A iniciativa celebrou os 300 anos do encontro da imagem de Aparecida, no Rio Paraíba do Sul (SP).

No texto, Francisco diz que Maria é um sinal de esperança e que conhece os desafios vividos pelos jovens. Além disso, o papa estimula a juventude a seguir com o espírito missionário.

O texto da carta:

Queridos jovens,
Saúdo afetuosamente a vocês, jovens do Brasil, reunidos em Aparecida para o encerramento do Projeto “Rota 300”, nesse Ano Mariano que comemora os 300 anos do achado da imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba do Sul.

Para tal ocasião, gostaria de ressaltar um aspecto da Mensagem que lhes escrevi este ano, para a XXXII Jornada Mundial da Juventude: a Virgem Maria é um precioso exemplo para a juventude e um auxílio na caminhada pela estrada da vida. Para que vocês possam perceber esta verdade, não são necessárias grandes reflexões; basta contemplar a imagem da Mãe Aparecida, durante a peregrinação que farão ao seu Santuário Nacional. Eu mesmo fiz essa experiência, quando aí estive em 2007, por ocasião da V Conferência do Episcopado Latino-americano e, depois em 2013, durante a JMJ no Rio de Janeiro.

Pude ali descobrir no olhar terno e maternal da Virgem morena e nos olhos da gente simples que a contemplava, o segredo da esperança que move o povo brasileiro a enfrentar com fé e coragem os desafios de cada dia. Pude também contemplar a força revolucionária de uma Mãe carinhosa que move o coração de seus filhos a saírem de si mesmos com grande ímpeto missionário, como aliás vocês fizeram durante a semana missionária, que acabam de concluir no Vale do Paraíba. Parabéns por este testemunho!

Caros amigos, em meio às incertezas e inseguranças de cada dia, em meio à precariedade que as situações de injustiça criam ao redor de vocês, tenham uma certeza: Maria é um sinal de esperança que lhes animará com um grande impulso missionário. Ela conhece os desafios em que vocês vivem. Com sua atenção e acompanhamento maternos, lhes fará perceber que não estão sozinhos. Nesse sentido, vale a pena recordar a história daqueles pescadores pobres, que depois de uma pesca sem grandes resultados, no rio Paraíba do Sul, lançaram mais uma vez as suas redes e foram surpreendidos com uma imagem partida de Nossa Senhora, coberta de lama. Primeiro acharam o corpo, logo em seguida a cabeça. Como comentei aos Bispos brasileiros em 2013, o fato traz em si um simbolismo muito significativo: aquilo que estava dividido, volta à unidade, como o coração daqueles pescadores, como o próprio Brasil colonial, dividido pela escravidão, que encontra sua unidade na fé que aquela imagem negra de Nossa Senhora inspirava (cf. Discurso aos Bispos do Brasil, 27/7/2013). Por isso, convido a que vocês também deixem que seus corações sejam transformados pelo encontro com Nossa Mãe Aparecida. Que Ela transforme as “redes” da vida de vocês – redes de amigos, redes socias, redes materiais e virtuais -, realidades que tantas vezes se encontram dividas, em algo mais significativo: que se convertam numa comunidade! Comunidades missionárias “em saída”! Comunidades que são luz e fermento de uma sociedade mais justa e fraterna.

Assim integrados nas suas comunidades, não tenham medo de arriscar-se e comprometer-se na construção de uma nova sociedade, permeando com a força do Evangelho os ambientes sociais, políticos, econômicos e universitários! Não tenham medo de lutar contra a corrupção e não se deixem seduzir por ela! Confiantes no Senhor, cuja presença é fonte de vida em abundância, e sob o manto de Maria, vocês podem redescobrir a criatividade e a força para serem protagonistas de una cultura de aliança e assim gerar novos paradigmas que venham a pautar a vida do Brasil (cf. Mensagem à Assembleia do CELAM, 8/5/2017).

Possa o Senhor, pela intercessão da Virgem Aparecida, renovar em cada um de vocês a esperança e o espírito missionário. Vocês são a esperança do Brasil e do mundo. E a novidade, da qual vocês são portadores, já começa a construir-se hoje. Que Nossa Senhora, que em sua juventude soube abraçar com coragem o chamado de Deus em sua vida e sair ao encontro dos mais necessitados, possa ir na frente de vocês, guiando-lhes em todos os seus caminhos! E para tal, lhes envio a cada um, extensiva aos seus familiares e amigos, a Bênção Apostólica, pedindo que, por favor, não deixem de rezar também por mim.

[Franciscus PP.]