ALVORADA

O SOL NASCE NO LESTE (VOSTOK) E PÕE-SE NO OESTE (EAST)

Frase

"(...) A história se repete: a primeira vez como tragédia. A segunda e outras vezes como farsa da tragédia anunciada. (...)" Karl Heinrich Marx (05/05/1818-14/03/1883)

Fatos

Gripe espanhola-estadunidense no início do século XX... Coronavírus no início do século XXI... Barragem de rejeitos minerários arrasa Mariana-MG em 05/11/2015... Barragem de rejeitos minerários arrasa Brumadinho-MG em 25/01/2019... Anderson Gomes e Marielle Franco são executados no Rio de Janeiro-RJ em 14/03/2018... Médicos ortopedistas são executados com 30 tiros em 30 segundos em restaurante na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro-RJ... (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...) (...)(...) (...) (...)(...) (...) (...) E por aí vai...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Morre Edino Krieger, mestre da música contemporânea, aos 94 anos

Ele estava internado há cerca de um mês na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro; causa da morte não foi divulgada

Morreu na noite desta terça-feira, 06 de dezembro de 2022, o compositor, crítico musical e gestor Edino Krieger, aos 94 anos, um dos principais nomes da música contemporânea do país. Ele estava internado há cerca de um mês na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por João Guilherme Ripper, diretor da Sala Cecília Meireles e amigo da família. A causa da morte não foi divulgada.

Ao lado de Guerra-Peixe e Cláudio Santoro, Krieger foi um dos principais criadores da música de vanguarda no Brasil. Entre suas composições mais conhecidas, está a peça "Canticum Naturale", de 1972, em que recria a ambiência da floresta amazônica, mimetizando o som da fauna e da flora, a partir da orquestração. De acordo com a partitura, a peça é dividida em duas seções -"Diálogo dos Pássaros" e "Monólogo das Águas"- entremeadas por um solo vocal, que sublinha a melodia.

Ainda nos anos 1970, Krieger se destacaria com "Ritmata" e "Estro Armonico", para violão solo. Sua obra buscou sobretudo abranger a diversidade musical do Brasil, embora tenha transitado por diferentes movimentos estéticos do século 20. "Ele aliou uma criatividade com uma técnica fantástica, era um curioso pela música, e tudo isso ele me ensinou, foi o meu grande mentor", diz Ripper.

Nascido na cidade de Brusque, em Santa Catarina, em 1928, Krieger começou a tocar violino aos sete anos, sob orientação do pai. Em 1943, se transferiu para o Rio de Janeiro onde estudou no Conservatório Brasileiro de Música com H. J. Koellreuter. Mais tarde, nos Estados Unidos, também estudou com Aaron Copland, um dos maiores nomes da história da música americana.

Krieger também foi um importante gestor cultural brasileiro, tendo sido diretor da Fundação Nacional de Artes (Funarte), entre 1981 a 1998, e do Museu da Imagem do Som, de 2003 a 2006. Ele criou também as Bienais da Música Brasileira Contemporânea e presidiu a Academia Brasileira de Música.

Fonte: Jornal "O Tempo"

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Dengue explode em Minas Gerais com aumento de 340% nos casos e de 950% nas mortes

Entre janeiro e novembro deste ano foram mais de 66 mil diagnósticos; no mesmo período de 2021, o número era de 15 mil; período crítico da doença ainda está por vir

POR Vitor Fórneas e Juliana Siqueira

Minas Gerais está em alerta diante do aumento de casos de dengue e, consequentemente, das mortes provocadas pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Somente de janeiro a novembro deste ano foram mais de 66 mil diagnósticos, sendo que, no mesmo período de 2021, o número era de 15 mil - aumento de 340%. Os óbitos também tiveram elevação: de seis para 63 - 950%.

A preocupação em relação à enfermidade se dá pelo fato de ainda não termos iniciado o período do verão, época do ano com patamares mais elevados. “O aumento no número de mortes é proporcional ao número de casos. O ano de 2022, apesar de não ser ano epidêmico, tem sido muito característico, pois estamos tendo epidemias localizadas. Muitos casos em municípios pequenos”, diz a coordenadora estadual de Vigilância das Arboviroses, Danielle Capistrano.   

O crescimento significativo do número de casos da doença, de acordo com a epidemiologista Luana Araújo, guarda relação, principalmente, com a falta de ações mais enfáticas de controle da proliferação do Aedes aegypti. O foco maior no combate à Covid-19 acabou gerando um comportamento de ‘cobrir um santo e descobrir outro’, segundo ela.

“Quando a gente perde de vista esses programas que são básicos para o controle do vetor, uma vez que não conseguimos erradicar a doença, esse tipo de crescimento dos números acontece. Houve muita atenção e recursos desviados para a Covid-19”, afirma ela.

A especialista salienta que, ao longo dos anos, sempre houve uma resposta oscilante em relação à dengue no país; ou seja, em algumas épocas há mais casos, em outras, menos. No entanto, nunca se esteve perto de transformar a enfermidade em uma doença pouco importante. Por isso, é tão relevante redobrar os cuidados e não se esquecer de nenhuma ação de combate, mesmo em meio a outras preocupações, como com o coronavírus. 

“Uma vez que a gente ainda não consegue controlar a presença do vírus propriamente dito, é importante controlar o mosquito. Quanto menos mosquitos a gente tiver, menos infectados teremos”, destaca.

O infectologista Leandro Curi também salienta que, atualmente, tem sido visto um número menor de campanhas em relação aos riscos e cuidados com a dengue, o que reflete diretamente nos números da doença. “Talvez, tenha havido um descuido enquanto sociedade. Atualmente, não vemos tantas pessoas falando sobre a necessidade de limpar calhas, pneus, paredes de piscina. Há um certo descuido em relação ao controle. Eventualmente, as pessoas se esquecem das ações, o que abre possibilidades para o vetor”, diz ele.

Período chuvoso

O período chuvoso requer mais atenção de todos, conforme explica a coordenadora estadual de Vigilância das Arboviroses, Danielle Capistrano. “Estamos entrando agora no período sazonal da chuva. Temos o acúmulo de água, aumento da temperatura, e, por sua vez, o Aedes e as transmissões da doença”. É importante lembrar que, além da dengue, o mosquito transmite a chikungunya e o zika vírus.

“O período mais crítico está iniciando ainda e chama a nossa atenção. O ponto elevado de casos tende a ser nos meses de fevereiro, março e abril quando já estaremos no verão. Minas está em alerta [para casos de dengue] principalmente se pegarmos a série histórica e vermos que o número de casos está acima do que em outros anos”, ressalta a coordenadora.

Epidemias localizadas estão sendo observadas no Estado. As regiões com mais diagnósticos são, segundo Danielle, Triângulo e Sudeste de Minas Gerais. “Os municípios destas localidades já têm tendência para mais casos, o que não significa que será só por lá. Temos locais silenciosos que passam a ter aumento muito rápido quando chega o verão, já que o clima é quente e úmido”.

Cuidados redobrados

Para o Aedes realizar todo o ciclo e conseguir transmitir as doenças ele precisa de água parada e, muitas das vezes, o perigo está dentro das casas. “Os patamares mais altos para a dengue cria o alerta citado para que a população não deixe água parada. Várias pesquisas mostram que o vetor está em mais de 80% dentro dos domicílios”, afirma Danielle.

Medidas simples são essenciais no combate ao Aedes. “Visando combater o mosquito temos os agentes de controle de endemias que visitam as casas e fiscalizam os locais de água parada. Fazem tanto a remoção quanto a orientação da população. A chuva nos preocupa, pois as calhas ficam entupidas, garrafas viradas para cima, caixa d’água destampada e piscinas abandonadas”.

A parceria da população é importante, já que não basta somente as visitas dos agentes. A coordenadora cita as medidas adotadas pela administração. “O Estado tem feito diversas políticas para combater as arboviroses e estamos passando incentivo financeiro para os municípios. Tudo está no nosso portal na aba de ‘orientações’. O município precisa comprar equipamentos de proteção, veículos e investir na vigilância para fazer o controle do vetor e impedir o aumento de casos. Cada um tem que fazer a sua parte”. Ações de mobilização também acontecem nas escolas. “Somamos forças para que tenhamos um verão sem tantos casos de dengue”, finaliza. 

Arboviroses em Minas

Arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos, principalmente, por mosquitos. As mais comuns em ambientes urbanos são dengue, zika e chikungunya. Os vírus causadores dessas doenças são transmitidos pelo Aedes aegypti. Veja os dados de Minas entre janeiro a novembro de 2021 e 2022:

Dengue

2021: Casos confirmados 15.255 / Mortes 6

2022: Casos confirmados 66.601 / Mortes 63

Chikungunya

2021: Casos confirmados 5.344 / Mortes 1

2022: Casos confirmados 5.405 / Mortes 0

Zika vírus 

2021: Casos confirmados 25 / Mortes 0

2022: Casos confirmados 12 / Mortes 0

Prevenção

Confira os cuidados que podem e devem ser adotados pela população em suas residências e locais de trabalho para evitar a proliferação do Aedes aegypti.

Retire os pratinhos de vasos de plantas;

Coloque latinhas, embalagens plásticas e de vidro e material descartável em geral em sacos plásticos, feche bem;

Mantenha a lixeira tampada. Sempre ponha o lixo para recolhimento do serviço de limpeza urbana;

Mantenha caixa d’água, cisterna, barril/tambor e poço sempre bem fechados e sem deixar frestas;

Confira sempre se a calha está entupida, remova folhas e tudo que possa impedir o escoamento da água;

Entregue os pneus ao serviço de limpeza urbana. Caso precise deles, mantenha-os secos e guardados em local coberto;

Trate a água da piscina com cloro e limpe uma vez por semana;

Deixe a tampa do vaso sanitário sempre fechada. Em banheiro sem uso, dê descarga uma vez por semana;

Mantenha o quintal sempre limpo e livre-se de qualquer material que possa se tornar um foco da dengue (sacos plásticos, tampas de garrafas, cascas de ovos e embalagens em geral);

Retire sempre a água da bandeja externa da geladeira e do ar-condicionado. Lave-a com água e sabão;

Se não for usar garrafas PET e de vidro, coloque-as em um saco plástico para recolhimento da limpeza urbana. Se for utilizá-las, mantenhas-as em local coberto, secas e sempre de boca para baixo;

Seque todo material em uso que possa acumular água e guarde em local coberto.

Fonte: Jornal "O Tempo"

sábado, 3 de dezembro de 2022

"Convertei-vos" é o caminho

 "Convertei-vos" é o caminho


Queridos irmãos e irmãs, domingo passado começou o Tempo do Advento, e naquele domingo nós refletimos a necessidade de estarmos  vigilantes à espera do Messias. Esta vigilância é necessária para podermos querer o céu. Não podemos perder tempo, pois somos cidadãos do céu que peregrinam na terra.

 

Este domingo, vamos celebrar o Segundo Domingo do advento. Devemos deixar os valores do mundo que atrapalham estar com Deus, na Comunidade e com a família. O que mais atrapalham são o egoísmo, a ostentação, o individualismo, a insensibilidade com os mais necessitados. Os valores do Reino são amor, solidariedade, partilhar, perdão e compaixão com os mais necessitados. Natal é momento de conversão de corações para Deus que é amor e que traz a oportunidade de Jesus renascer na vida nossa e de cada um.

 

Duas figuras aparecem neste domingo que são Isaías e João Batista. Estes são profetas que anunciam alguém que vai mudar o rumo da história da humanidade.

 

No livro do profeta Isaías nos mostra um enviado de Deus que vai ser descendente de Davi e tem uma missão de construir entre nós o Reino que deve ser a justiça e a Paz. É a promessa do Messias que revive entre as pessoas a esperança do povo sofrido que estava diante das ameaças do imperialismo dos assírios.

 

Quando o povo se afasta de Deus traz muitos males. O sinal será e assim está escrito:    "Naqueles dias, do tronco de Jessé sairá um ramo e um broto de sua raiz".  O que age é o Espírito de Deus que anima tudo. Os sete dons que dão força a cada um de nós. Essa promessa que vai trazer a paz e a justiça para o povo que clama por isso. Podemos dizer que essa promessa dita por Isaías é Jesus, o messias libertador. (Cf. Is 11,1-10)

 

Na carta de São Paulo exorta os cristãos de Roma a viverem o amor que se traduz na partilha, na união entre todos, na harmonia e na oração e louvor em só coração e uma alma. Hoje podemos notar de modo pleno na comunidade igreja que nos faz irmãos unidos na vida fraterna com todos. (Cf. Rm 15,4-9)

 

No evangelho de São Mateus temos a figura de João Batista que anuncia a necessidade de cada pessoa converter a Deus, mudar de vida e ter uma vida comunitária na justiça, no amor, na fraternidade e compaixão que se traduz nos bens partilhados. Ele é uma pessoa humilde, vive no deserto numa vida despojada. Ele é o profeta. Ele insiste para aquele povo e para nós hoje:   "Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo..." "Preparai o caminho do Senhor: endireitai as veredas para ele." Esse apelo faz com que as pessoas peçam o Batismo de conversão. (Cf. Mt 3,1-12). O batismo dele é de conversão, mas ele não esquece que vem um que é o Batismo de fogo no Espírito Santo que renova a esperança.

 

Sabemos que o Batismo de Jesus é bem diferente do João Batista, pois o de João é de conversão a de Jesus é para inaugurar a sua missão de salvar a todos. O nosso batismo é na Trindade : Pai, Filho e Espírito Santo, em Jesus somos sepultados no pecado original para a missão de continuar o projeto de Cristo.

 

Que esta liturgia nos ajude a sermos conscientes para a missão de fazer que Jesus nasça novamente nos corações feridos por tanta situação da cultura de morte reinante no mundo que possamos fazer pontes a todos, levando a vida e amor de Deus a todos.

 

Tudo por Jesus nada sem Maria!!! Servus Christi Semper!

Jose B. Schumann Cunha

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Brasil tem escalada de crimes de ódio nas escolas, mas prevenção é insuficiente

Pela primeira vez em 20 anos, país tem três ataques a tiros em intervalo de apenas dois meses

POR Clarisse Souza

O Brasil vive uma tendência de escalada de crimes de ódio em escolas. Segundo levantamento do Instituto "Sou da Paz", dos 12 ataques de atiradores registrados nos últimos 20 anos em colégios do país, três (25%) ocorreram nos últimos dois meses - em Barreiras (BA), em setembro; em Sobral (CE), em outubro; e em Aracruz (ES), no dia 25 de novembro. No caso mais recente, um adolescente de 16 anos matou quatro pessoas e deixou dez feridos em duas escolas. O suspeito, que foi apreendido, usava uma suástica, símbolo nazista, preso à roupa.

Em Minas Gerais, foram ao menos 21 episódios de ataques motivados por ódio contra instituições de ensino entre janeiro e novembro deste ano, conforme levantamento feito pelo jornal "Super Notícia", com base em reportagens publicadas no período.

Na terça-feira, 29 de novembro de 2022, quatro dias após o massacre de Aracruz, duas unidades de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram atacadas enquanto estavam fechadas: a Escola Municipal José Silvino Diniz, que teve objetos destruídos e paredes pichadas com palavras e símbolo do nazismo, e a Escola Municipal Professora Maria Martins, onde vidros e câmeras de segurança foram quebrados. A Polícia Civil confirmou que alunos comandaram os ataques.

Apesar dos casos recorrentes, a Polícia Civil afirma não ter números consolidados sobre atentados e ameaças de crimes de ódio em escolas mineiras. O “apagão” de informações deixa educadores e alunos à mercê da violência e inviabiliza ações de prevenção e de segurança. “É preciso que existam protocolos para coletas de dados. Sem isso, não tem como construir políticas públicas. Precisamos ter informações para que os professores façam uma mediação (de conflitos) na escola e para que articulem com familiares o aumento da vigilância em relação ao comportamento desses adolescentes”, analisa o gerente do Instituto "Sou da Paz", Bruno Langeani.

Fonte: Jornal "O Tempo" e "Super Notícia"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Policial militar da reserva é detido após atirar em frente a restaurante em MOC-MG

Ocorrência foi registrada na madrugada desta quinta-feira, 1º de dezembro de 2022, no Bairro Guarujá; Polícia Civil informou que militar foi autuado em flagrante

Um policial militar da reserva foi preso suspeito de efetuar um disparo de arma de fogo em frente a um restaurante no Bairro Guarujá, em Montes Claros, Norte de Minas Gerais. A ocorrência foi registrada na madrugada desta quinta-feira, 1º de dezembro de 2022. Consta no boletim que um indivíduo desconhecido teria entrado no estabelecimento relatando que, após pedir comida ao suspeito, o mesmo apontou uma arma de fogo em sua direção. Em seguida, o homem entrou no restaurante bastante nervoso segurando a arma na cintura e passou a filmar a situação, segundo um dos funcionários.

Outro funcionário contou à polícia que orientou o suspeito para que ele parasse com a filmagem e os dois foram para a calçada do estabelecimento. A vítima disse ainda que o policial efetuou um tiro para o alto quando eles chegaram do lado de fora do restaurante e passou a ameaçá-la com a arma. Ao ser preso, o policial negou ter feito ameaças e afirmou ter atirado porque, ao estacionar o seu veículo, três indivíduos se aproximaram aparentemente com a intenção de roubá-lo, de acordo com o Boletim de Ocorrência (BO).

Em nota, a Polícia Civil informou à reportagem que o policial foi autuado em flagrante por disparo de arma de fogo, considerando o agravante do crime ter sido cometido por integrante da polícia estadual. A reportagem também solicitou um posicionamento da Polícia Militar e aguarda um retorno.

Fonte: Globo

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Escola de Contagem é alvo de ataques com referências nazistas

Funcionários chegaram para trabalhar na manhã desta terça-feira e encontraram a escola destruída e com várias ameaças nazistas

POR Manuel Marçal, Natália Oliveira e Rayllan Oliveira

Quatro dias depois do ataque a duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo, realizado por um adolescente de 16 anos que vestia uma roupa com uma suástica, símbolo do nazismo, a Escola Municipal José Silvino Diniz, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, também foi alvo de ataques com referências nazistas. Funcionários e alunos que chegaram à unidade de ensino na manhã desta terça-feira, 29 de novembro de 2022, encontraram as paredes pichadas com suásticas e mensagens com referências a Hitler, líder do nazismo alemão. Uma exposição em referência ao dia da Consciência Negra, lembrado em 20 de novembro, também foi destruída.

De acordo com um dos colaboradores da instituição de ensino, que pediu anonimato, a suspeita é de que os ataques tenham sido feitos por estudantes da turma do nono ano. "Nós descobrimos um perfil em uma rede social com imagens internas da escola", disse o colaborador. Além das imagens da unidade escolar, o perfil conta com diversas publicações do jogo de videogame "Bully". No jogo eletrônico de ação-aventura, um dos personagens realiza ataques em escolas.

A Polícia Militar esteve na escola durante a manhã de hoje e registrou um boletim de ocorrência. Segundo o colaborador da instituição de ensino, a perícia da Polícia Civil não chegou a ser acionada porque os funcionários já haviam entrado na escola, o que pode ter alterado a cena do crime. A Guarda Municipal de Contagem também foi deslocada nas proximidades da instituição e permanece na região durante a manhã.

Para o colaborador, essa é mais uma situação de insegurança nas escolas. "É uma preocupação e a gente tem acompanhado isso em todo o país. Existe um trabalho da Polícia para desmontar esse movimento de células neonazistas. A gente viu, recentemente, esse ataque no Espírito Santo. Não dá pra se sentir seguro", aponta. 

O ataque citado pelo colaborador ocorreu em Aracruz, na Região Norte do Espírito Santo. Um adolescente de 16 anos invadiu duas escolas e atirou várias vezes. Quatro pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas, conforme boletim da Secretaria de Estado de Saúde. A reportagem do jornal "O Tempo" entrou em contato com a Prefeitura de Contagem e até o momento não teve o retorno. A reportagem será atualizada com o posicionamento da Prefeitura.

Fonte: Jornal "O Tempo"

terça-feira, 22 de novembro de 2022

“Eu não quero ser tolerável, eu quero ser respeitado, pois o Brasil é um país laico que engloba várias religiões, não apenas de matrizes africanas”, comenta pai de santo

Em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra (Zumbi dos Palmares foi assassinado em 20 de novembro de 1695 em Alagoas), a população de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, Brazil Sociedade Anônima Multinacional, foi às ruas no último final de semana para participar da 7ª Marcha Contra o Racismo e a Intolerância Religiosa. Organizada pela Prefeitura de Montes Claros, através da Coordenadoria de Igualdade Racial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e em parceria com o Conselho Municipal de Igualdade Racial, a 7ª Marcha percorreu as ruas do centro de MOC-MG, sendo finalizada no Largo Cultural Georgino Jorge de Souza Júnior, na Praça da Matriz, centro histórico do município norte-mineiro.

A manifestação aconteceu no sábado passado, 19 de novembro de 2022, concentrou-se na Praça da Catedral (Praça Pio XII) e foi marcada pela participação de grande número de casas de religiões de matriz africana, kardecistas, casas de axé da região e comunidades quilombolas, além de padres, pastores, estudantes e do grupo da Juventude do Centro Nacional de Africanidade Brasileira (Jcenarab), que serviu diversos pratos típicos, como muqueca de peixe, friquitê, massagô, mugunjá, acaça e feijoada ao final da manifestação social e religiosa.

“Eu não quero ser tolerável, eu quero ser respeitado, pois o Brasil é um país laico que engloba várias religiões, não apenas de matrizes africanas”, comenta o pai de santo Renato Italandê, do terreiro roça Niguzu Kaiala Mazana. Segundo ele, é preciso celebrar sempre este tipo de momento ecumênico e interreligioso para acabar de vez com a intolerância religiosa. “Vivemos numa sociedade onde católicos, evangélicos, umbandistas, quimbandistas, candomblecistas e kardecistas estão em paz, mas, infelizmente, uma minoria ignorante prefere manter o coração cheio de ódio e de preconceito, o que é lamentável”, desabafa.

Para o responsável pela Coordenadoria de Igualdade Racial e presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial, José Gomes Filho, a 7ª Marcha Contra o Racismo e a Intolerância Religiosa foi um sucesso. “Esta marcha veio coroar as atividades do Mês da Consciência Negra, quando reafirmamos a importância de celebrarmos sempre o Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro), enquanto existir preconceito racial e intolerância religiosa”, comenta.

“A Marcha Contra o Racismo e a Intolerância Religiosa já se tornou uma tradição em Montes Claros. E esta 7ª edição foi fechada com chave de ouro, pois cumpriu seu intuito de incentivar as comunidades a não deixarem que suas raízes, costumes e tradições sejam esquecidos”, comemora Aparecida Andrade, diretora de Políticas Sociais da Prefeitura de MOC-MG.




domingo, 20 de novembro de 2022

Papa em Asti: Jesus, Rei que nos abraça, mesmo com as nossas misérias

 Papa em Asti: Jesus, Rei que nos abraça, mesmo com as nossas misérias



Na homilia da missa na Catedral de Asti, pela Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, o Papa enfatizou que da cruz Jesus abraça todos, com pobrezas, fragilidades e misérias. Entretanto, nos pede que o chamemos pelo nome e que sujemos nossas mãos com ele, não como meros espectadores, mas "envolvidos", com coragem de olhar para nós mesmos e pelos sofrimentos do mundo, "fazendo-nos servos para reinar com Ele".

O abraço do Papa à comunidade de Asti, no norte da Itália, veio na manhã de domingo (20) na Catedral de Nossa Senhora da Assunção pela Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Após percorrer a cidade e saudar de perto as pessoas a bordo do papa-móvel, Francisco deu início ao seu segundo e último dia na região do Piemonte, terras em que o seu pai emigrou para a Argentina e onde veio "reencontrar o sabor das raízes", disse o Pontífice em homilia, ao fazer referência ao Evangelho de Lucas 23, 35-43 que "nos leva às raízes da fé" encontradas no "terreno árido do Calvário".

O nosso Rei de braços abertos

O Papa, então, convidou a fixar "o nosso olhar n’Ele, no Crucificado", despido na cruz, que ganhou a falsa imagem de realeza através de um letreiro na cruz. Mas, observando Jesus, alertou Francisco, "inverte-se a ideia que temos de um rei", "vemos que é completamente diferente. Não está sentado num trono confortável" e "comporta-Se como servo cravado na cruz pelos poderosos", "despojado de tudo, mas rico de amor":

“Do trono da cruz, já não ensina as multidões com a palavra, nem levanta a mão para ensinar; faz mais: não aponta o dedo contra ninguém, mas abre os braços a todos. Assim Se manifesta o nosso Rei: de braços abertos – a brasa aduerte.”

E só entrando no seu abraço, continuou Francisco, é que compreendemos que Deus Se deixou levar até o paradoxo da cruz para abraçar tudo em nós: a nossa morte, o nosso sofrimento, as nossas pobrezas, as nossas fragilidades.

"Eis o nosso Rei, Rei do universo, porque atravessou os confins mais remotos do humano, entrou nos buracos negros do ódio e do abandono para iluminar cada vida e abraçar toda a realidade. Irmãos, irmãs, tal é o Rei que hoje festejamos! Não é fácil de entender, mas é o nosso Rei."

Esse é o modelo a seguir e a celebrar, acrescentou o Papa, por isso o convite para, "com frequência", nos colocarmos diante do Crucificado e dar a possibilidade de "nos deixarmos amar por Ele":

“Mas Senhor, é verdade? Com as minhas misérias, me ama assim? Cada um neste momento pense em sua própria pobreza: 'Mas, me ama com estas pobrezas espirituais que eu tenho, com estas limitações?' E Ele sorri e nos faz perceber que nos ama e deu Sua vida por mim. Pensemos um pouco sobre nossas limitações, mesmo as coisas boas, e Ele nos ama como nós somos, como somos agora.”

"E então compreendemos que não temos um deus desconhecido, lá em cima nos céus, poderoso e distante, não; um Deus próximo, a proximidade é o estilo de Deus: a proximidade, com ternura e misericórdia. Este é o estilo de Deus. Não tem outro estilo. Perto, misericordioso e terno. Terno e compassivo, cujos braços abertos consolam e acariciam. Eis o nosso Rei!"

O contágio letal da indiferença

Depois de termos contemplado Jesus na cruz, questionou o Papa, o que mais podemos fazer? Ser apenas um espectador - aquela grande maioria curiosa e indiferente que só observa e julga ao "assistir ao espetáculo cruento do fim inglorioso de Cristo"; ou quem se aventura e se envolve. O primeiro grupo, alertou o Pontífice, faz parte de uma "onda do mal", que "é contagiosa", feito uma "doença contagiosa" que acaba nos tornando em "cristãos de fachada, que dizem acreditar em Deus e querer a paz, mas não rezam nem cuidam do próximo".

É o contágio letal da indiferença. Uma doença feia é a indiferença, sabe? 'Isto não cabe a mim, não cabe a mim...' indiferença para com Jesus e indiferença também para com os doentes, para com os pobres, para com os miseráveis da terra. Eu gosto de perguntar às pessoas, e peço a cada um de vocês; eu sei que cada um de vocês dá esmola aos pobres, e eu lhes pergunto: 'Quando dá esmola aos pobres, olha nos olhos deles? Você é capaz de olhar nos olhos deles? Daquele pobre homem ou mulher que lhe pede esmola? Quando você dá esmola aos pobres, você joga a moeda no chão ou toca a mão deles? Você é capaz de tocar uma miséria humana?' Cada pessoa então faz a resposta hoje. Aquelas pessoas eram indiferentes. Aquelas pessoas falam de Jesus, mas não se sintonizam com Jesus. E esse é o contágio letal da indiferença: que cria distância com a miséria.

A onda do bem dos envolvidos

Entretanto, entre muitos espetadores no território do Calvário, continuou o Papa, há quem se aventura e envolve. E o Evangelho fala "do bom ladrão para nos convidar a vencer o mal, deixando de ser espetadores. E de onde havemos de começar? Da confidência, de chamar a Deus pelo nome", indicou Francisco, sem maquiagens:

"Por favor, não façam a espiritualidade de maquiagem: ela é entediante. Diante de Deus: sabão e água, somente. Sem maquiagem, a alma como ela é. E dali vem a salvação."

“Irmãos, irmãs, hoje o nosso Rei olha-nos da cruz a brasa aduerte. Cabe a nós escolher se sermos espectadores ou envolvidos. Vemos as crises de hoje, o declínio da fé, a falta de participação... E o que fazemos? Limitamo-nos a fazer teorias, a criticar, ou arregaçamos as mangas, comprometemo-nos na vida, passamos do «se» das desculpas ao «sim» da oração e do serviço? Todos pensamos saber o que está errado na sociedade, no mundo, até na Igreja, mas depois… fazemos alguma coisa? Metemos as mãos na massa, como o nosso Deus pregado no madeiro, ou ficamos a olhar com as mãos nos bolsos?”

fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-11/papa-francisco-missa-catedral-asti-visita-pastoral.html?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=NewsletterVN-PT

Jesus Cristo, o nosso Rei

 Jesus Cristo, o nosso Rei




 

Queridos irmãos e irmãs, hoje celebramos a Solenidade do Cristo Rei. E deste modo encerramos o Ano litúrgico do Círculo C. Ser Rei hoje em dia é visto como algo anacrônico e sem nenhum crédito. A Bíblia nos mostra muitos reis, alguns foram bons, mas muito se corromperam com falsas religiões, com corrupções e muita violência.

 

Jesus é Rei que foi honrado na cruz com uma morte terrível e injusta. Sua coroa é de espinho e a cruz o seu trono. Tudo isso para cumprir uma missão de salvar a humanidade do pecado que nos faziam escravos e sem o dom da vida verdadeira que só Deus nos pode dar.

 

No Segundo Livro de Samuel temos Davi sendo ungido por Deus para ser Rei dos judeus na justiça e na Paz.

 

Os profetas prometeram a chegada de descendentes de Davi que seria o acontecimento inédito. Essa espera foi por muitos séculos. Um Rei servidor sem nenhuma pretensão egoísta. Ele ia restaurar os corações para o amor verdadeiro, para partilha de dons, para solidariedade e fraternidade sem distinção de raça, de credo e de nação. (Cf. 2Sm 5,1-3)

 

Vamos ver no Evangelho deste domingo que Jesus é um Rei que se mostra humilde, servidor de todos e sem querer opulência, majestade e poder. É um Deus amor. Para aquela época, serve  para hoje, pois é  algo estranho, mas  também poderoso, porque Jesus, sendo Deus, se entrega a morrer na Cruz por nós. Por isso a Igreja está atravessando séculos, testemunhando que Cristo é o Rei de todos e do Universo.

 

A cena do calvário nos dá uma lição, pois um ladrão reconhece que Jesus é o Rei justo que salva e dá vida. Em cima da sua cabeça havia uma placa pregada no alto cruz que Jesus é Rei dos judeus. Isso é uma verdade incontestável. (Cf. Lc 23,35-43)

 

Na carta de São Paulo aos colossenses nos mostra um Hino Cristológico que afirma, sem nenhuma dúvida, que Jesus Cristo tem a soberania absoluta, tanto na obra da criação como na redenção para salvar a todos. Por isso Jesus é o Centro da vida e da nossa história. Isso podemos constatar que estamos há 2022 do nascimento de Cristo. (Cf. Cl 1,12-20)

 

O Salmo 122 nos exorta que é muito bom subir a Jerusalém para ir ao encontro do Senhor. E ele está sempre pronto a ter um encontro com todos que o procuram. A igreja nos lembra na liturgia de hoje com esta expressão: “Seu Reino, Eterno e Universal, é o Reino da Verdade e da Vida, Reino da Santidade e da Graça, Reino da Justiça, do Amor e da Paz". (Prefácio)

 

Portanto, irmãos e irmãs, a missão de Cristo era inaugurar um Reino Novo de Deus entre nós na justiça, no amor, no perdão e na paz. Hoje, nós como batizados, temos a obrigação e a missão de continuar a missão de Cristo para que o mundo seja de irmãos e irmãs que convivam bem com todos e também com a irmã natureza.

 

Que esta liturgia nos ajude a compreender e viver os valores do Evangelho e da missão de Cristo que devemos abraçar na família, na comunidade e no mundo. Estamos felizes porque temos um Rei diferente dos nossos governantes, que muitas vezes, são arrogantes e sem escrúpulos com as coisas públicas. Somos cidadãos do Reino de Cristo e que Ele seja nossa fonte, meio e fim. Amém!

 

Tudo por Jesus nada sem Maria!

Servus Christi Semper.

Jose B. Schumann Cunha

Marcha contra o Racismo e a Intolerância Religiosa em MOC-MG nunca teve participação de escolas municipais

Aconteceu na manhã do último sábado, 19 de novembro de 2022, na Praça da Catedral, centro de Montes Claros, Norte de Minas Gerais, a 7ª Marcha contra o Racismo e a Intolerância Religiosa. O presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial, José Gomes Filho, conta que a 7ª Marcha contra o Racismo e a Intolerância Religiosa "iniciou com o Grupo de União e Consciência Negra (Grucon) que era liderado por mim e casas de terreiros. Depois de muito tempo sem realizar a Marcha, um grupo do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) e representantes de terreiros, movimentos negros e Coordenadoria da Igualdade Racial retomou a Marcha, acrescentando o racismo e realizou a segunda marcha". 

"Daí pra frente, a Coordenadoria juntamente com o Conselho assumiu sozinha a Marcha em parceria com a Juventude do Centro Nacional de Africanidade Afro-Brasileira (Jcenarab) e casas de santo (terreiros) e até hoje é realizada muitas vezes. Parte da estrutura é patrocinada pela sociedade civil que faz parte do Conselho de Igualdade Racial. Este ano, a Marcha teve participação efetiva de padres católicos da igreja brasileira, evangélicos e, como sempre, das escolas estaduais. Estranho é nunca ter tido participação de escolas municipais, já que é um evento da pasta da Secretaria de Desenvolvimento Social", critica José Gomes Filho.