Nossos
caminhos são agora um só caminho,
nossas
almas, uma só alma.
Cantarão
para nós os mesmos pássaros,
e
os mesmos anjos desdobrarão sobre nós
as
invisíveis asas.
Temos agora por espelho os
nossos olhos;
o teu riso dirá a minha
alegria,
e o teu pranto, a minha
tristeza.
Se eu fechar os olhos, tu
estarás presente;
se eu adormecer, serás o meu
sonho;
e serás, ao despertar, o sol
que desponta.
Nossos mapas serão iguais,
e traçaremos juntos os mesmos
roteiros
que conduzam às fontes
escondidas
e aos tesouros ocultos.
Na mesma página do Evangelho
encontraremos o Cristo,
partiremos na ceia o mesmo pão;
meus amigos serão os teus
amigos,
perdoaremos com iguais palavras
aqueles que nos invejam.
Será nossa leitura à luz da
mesma lâmpada,
aqueceremos as mãos ao mesmo
fogo
e veremos em silêncio
desabrochar no jardim
a primeira rosa da Primavera.
Iremos depois nos descobrindo nos filhos que crescem,
e não mais saberemos distinguir
em cada um
os meus traços e os teus,
o meu e o teu gesto,
e então nos tornaremos
parecidos.
E nem o mundo nem a guerra nem a morte,
nada mais poderá separar-nos,
pois seremos mais que nunca,
em cada filho,
uma só carne e um só coração.
Que o homem não separe o que Deus uniu.
Que o tempo não destrua a
aliança que nos prende,
nem os amores, o amor.
Que eu não tenha outro repouso que o teu peito,
outro amparo que a tua mão,
outro alimento que o teu
sorriso.
E, quando eu fechar os olhos para a grande noite,
sejam tuas as mãos que hão de
fechá-los.
E, quando os abrir para a visão de Deus,
possa contemplar-te como o caminho
que me levou, dia após dia,
à fonte de todo amor.
Nossos caminhos são agora um só caminho,
nossas almas, uma só alma.
Já não preciso estender a mão para alcançar-te,
já não precisas falar para que
eu te escute...
Dom Marcos Barbosa nasceu em
Cristina (MG) em 12 de setembro de 1915. Faleceu no Rio de Janeiro em 05 de
março de 1997. Seu nome civil era Lauro de Araújo Barbosa. Foi monge
beneditino, poeta e tradutor. Foi o quinto ocupante da Cadeira 15 da Academia
Brasileira de Letras (ABL). Sucedeu Odylo Costa, sendo recepcionado na
ABL por Alceu Amoroso Lima, em 23 de maio de 1980. “Cântico de
Núpcias” repercutiu “em celebrações de casamento e até mesmo em novelas de
televisão”. Dom Marcos “inovou a oratória sacra, pelo estilo manso e poético
dos seus sermões”.

Na
Arquidiocese de Montes Claros, “Cântico de Núpcias” foi lido no casamento
de Janine e Gílson na noite do dia 21 de abril de 2012, na igreja matriz da
Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Coordenador arquidiocesano do Setor
Juventude, padre Gledson Eduardo de Miranda Assis prestou a homenagem ao casal,
especialmente, a Janine Vítor dos Santos, agente de pastoral que colabora nesta Igreja
particular com os avanços do Setor Juventude desde os tempos da Pastoral da
Juventude, conhecida mais pela sigla PJ. Na foto, pe. Gledson, Janine, Gílson e
pe. Ari Piedade da Silva.
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