ALVORADA

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Frase

"(...) A história se repete: a primeira vez como tragédia. A segunda e outras vezes como farsa da tragédia anunciada. (...)" Karl Heinrich Marx (05/05/1818-14/03/1883)

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Cântico de Núpcias



Nossos caminhos são agora um só caminho,
nossas almas, uma só alma.

Cantarão para nós os mesmos pássaros,
e os mesmos anjos desdobrarão sobre nós
as invisíveis asas.

Temos agora por espelho os nossos olhos;
o teu riso dirá a minha alegria,
e o teu pranto, a minha tristeza.

Se eu fechar os olhos, tu estarás presente;
se eu adormecer, serás o meu sonho;
e serás, ao despertar, o sol que desponta.

Nossos mapas serão iguais,
e traçaremos juntos os mesmos roteiros
que conduzam às fontes escondidas
e aos tesouros ocultos.

Na mesma página do Evangelho
encontraremos o Cristo,
partiremos na ceia o mesmo pão;
meus amigos serão os teus amigos,
perdoaremos com iguais palavras
aqueles que nos invejam.

Será nossa leitura à luz da mesma lâmpada,
aqueceremos as mãos ao mesmo fogo
e veremos em silêncio desabrochar no jardim
a primeira rosa da Primavera.

Iremos depois nos descobrindo nos filhos que crescem,
e não mais saberemos distinguir em cada um
os meus traços e os teus,
o meu e o teu gesto,
e então nos tornaremos parecidos.

E nem o mundo nem a guerra nem a morte,
nada mais poderá separar-nos,
pois seremos mais que nunca,
em cada filho,
uma só carne e um só coração.

Que o homem não separe o que Deus uniu.
Que o tempo não destrua a aliança que nos prende,
nem os amores, o amor.

Que eu não tenha outro repouso que o teu peito,
outro amparo que a tua mão,
outro alimento que o teu sorriso.

E, quando eu fechar os olhos para a grande noite,
sejam tuas as mãos que hão de fechá-los.

E, quando os abrir para a visão de Deus,
possa contemplar-te como o caminho
que me levou, dia após dia,
à fonte de todo amor.

Nossos caminhos são agora um só caminho,
nossas almas, uma só alma.

Já não preciso estender a mão para alcançar-te,
já não precisas falar para que eu te escute...

Dom Marcos Barbosa nasceu em Cristina (MG) em 12 de setembro de 1915. Faleceu no Rio de Janeiro em 05 de março de 1997. Seu nome civil era Lauro de Araújo Barbosa. Foi monge beneditino, poeta e tradutor. Foi o quinto ocupante da Cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Sucedeu Odylo Costa, sendo recepcionado na ABL por Alceu Amoroso Lima, em 23 de maio de 1980. “Cântico de Núpcias” repercutiu “em celebrações de casamento e até mesmo em novelas de televisão”. Dom Marcos “inovou a oratória sacra, pelo estilo manso e poético dos seus sermões”.

 
Na Arquidiocese de Montes Claros, “Cântico de Núpcias” foi lido no casamento de Janine e Gílson na noite do dia 21 de abril de 2012, na igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Coordenador arquidiocesano do Setor Juventude, padre Gledson Eduardo de Miranda Assis prestou a homenagem ao casal, especialmente, a Janine Vítor dos Santos, agente de pastoral que colabora nesta Igreja particular com os avanços do Setor Juventude desde os tempos da Pastoral da Juventude, conhecida mais pela sigla PJ. Na foto, pe. Gledson, Janine, Gílson e pe. Ari Piedade da Silva.

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