Homilia da Missa de 1 de janeiro
2014 - Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

Queridos irmãos e irmãs, iniciamos 2014 e nele colocamos as nossas
esperanças e as bênçãos nas mãos do Deus da vida. As leituras bíblicas desse
dia, em que celebramos a solenidade da Mãe de Deus e o dia Mundial da Paz, nos
faz levar o nosso coração Deus por tantas maravilhas que Ele, na sua bondade
infinita, nos dá. No livro dos Números temos uma linda oração de benção que
poderia ser a nossa oração do ano inteiro, pois é Deus que nos protege sempre e
nos dá a segurança para que caminhemos rumo a eternidade com Cristo e com
nossos irmãos e irmãs de jornada. Deus nos dá coragem, animo e esperança de
lutar por mais justiça, amor-perdão, solidariedade e partilha entre nós.
A Igreja, sabiamente, colocou a todos que Maria é a Mãe de Deus, isso é
uma verdade incontestável, pois ela é a mãe de Jesus, o filho do Deus Vivo e
nosso salvador. Essa mulher singular soube entender os desígnios de Deus para
si e para a humanidade, dando a Deus um sim corajoso. Desse modo Jesus vem
estar conosco, encarnado na nossa realidade humana e terrena, ensinando-nos
como devemos comportar e viver nesse mundo em vista da fraternidade universal
com todos.
Assim, nos passos de Maria e de Jesus, caminhamos, criando condições para
a fraternidade que traz a paz e concórdia entre as pessoas para que esse mundo
seja melhor e harmonioso entre todos nós.( Bacharel em teologia Jose Benedito
Schumann Cunha) Segue a homilia do Papa Francisco:
Amados Irmãos e Irmãs,
A primeira leitura propôs-nos a
antiga súplica de bênção que Deus sugerira a Moisés, para que a ensinasse a
Aarão e seus filhos: «O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar
sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e
te conceda a paz» (Nm 6, 24-26). É muito significativo ouvir estas palavras de
bênção no início dum novo ano: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se
abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma
esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança
ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro. Esta
esperança tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que
contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da
protecção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.
Os votos contidos nesta bênção
realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a
Mãe de Deus, e realizaram-se n’Ela antes de qualquer outra criatura.
Mãe de Deus! Este é o título
principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função
que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde
sempre Lhe reconheceu.
Lembremos aquele momento importante
da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu
com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade
divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de
Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente,
no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus
populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam
congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e
gritavam: «Mãe de Deus!» Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este
título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. É a
atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A
amam com imensa ternura.
Desde sempre Maria está presente
no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão. «A Igreja
caminha no tempo (...). Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as
pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria» (JOÃO PAULO II, Enc.
Redemptoris Mater, 2). O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso,
A sentimos particularmente próxima de nós! No que diz respeito à fé, que é o
fulcro da vida cristã, a Mãe de Deus partilhou a nossa condição, teve de
caminhar pelas mesmas estradas, às vezes difíceis e obscuras, trilhadas por
nós, teve de avançar pelo «caminho da fé» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. Lumen
gentium, 58).
O nosso caminho de fé está
indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava
para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: «Eis a tua mãe!» (Jo 19, 27).
Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então,
a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe! Na hora em que a fé dos discípulos se
ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes
Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais. E a
«mulher» torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu
coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e
ama-os como os amava Jesus. A mulher que, nas bodas de Caná da Galileia, dera a
sua colaboração de fé para a manifestação das maravilhas de Deus na mundo, no
Calvário mantém acesa a chama da fé na ressurreição do Filho, e comunica-a aos
outros com carinho maternal. Assim Maria torna-Se fonte de esperança e de
alegria verdadeira.
A Mãe do Redentor caminha diante
de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de
humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé
num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho. Deste modo, a nossa
missão será fecunda, porque está modelada pela maternidade de Maria. A Ela
confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas
necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de
justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus!
"Salve, ó santa Mãe de Deus!
Vós destes à luz o Rei
Que governa o céu e a terra
Pelos séculos eternos!" (Liturgia romana)
Vós destes à luz o Rei
Que governa o céu e a terra
Pelos séculos eternos!" (Liturgia romana)
Animados na fé em Cristo e com a proteção de Maria, vamos caminhando
seguramente, orientados pela nossa Igreja através do Papa Francisco para prados
verdejantes e aguas límpidas que nos dão paz e esperança para vivermos bem com
todos nesse mundo.( Bacharel em teologia Jose Benedito Schumann Cunha)
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