
No dia 12 de maio [de 2006], nosso município ficou diferente. Foi um dia de luto geral. Parecia que havia falecido uma pessoa em cada família bocaiuvense. Um único homem teve o poder de provocar tal sentimento generalizado no momento de sua partida. Como disse Madre Tereza de Calcutá: “Quando morremos, levamos aquilo que doamos. O que ajuntamos, fica”.
Esse é o fruto do trabalho de um homem dotado de espírito público genuíno, verdadeiro. O homem público de verdade possui coração comunitário e vê o seu povo como “a junção de todos numa grande alma humana”. Sim, a sua visão é sempre coletiva, ampla, maior, e interage com tudo e com todas as pessoas. O homem público dotado com o espírito que habitava em Wan-Dick tem o seu prazer em atender o próximo, em amá-lo e em servi-lo. Dar o melhor de si em favor da comunidade, e receber de volta a alegria de ter sido útil a alguém. Esse era Wan-Dick Dumont.

E não é o fato de ter sido Prefeito que fez dele um homem público. Mas justamente o fato de que sua conduta nunca mudou, nem antes, nem durante e nem depois de ser prefeito. De forma que, se nunca fosse prefeito, ainda assim seria portador de um excelente espírito público, e modificaria o meio em que viveu de uma forma ou de outra. Em Wan-Dick se cumpre a máxima de Madre Tereza de Calcutá: “O mundo depois de ti tem que ser melhor, porque tu viveste nele”.
Falei de homem público de verdade, porque, infelizmente, o mundo anda cheio de “homens públicos de mentira”. “Homens públicos” que se aproveitam das oportunidades para defender os próprios interesses, mesmo que isso possa significar a doença, o sofrimento e a morte de muitos outros. “Homens públicos de mentira” que usam dos cargos para serem servidos, nos quais predomina o espírito de egoísmo, materializado no fato de quererem tão somente para si aquilo que é de todos.

Como se vê, não cabe qualquer comparação entre os dois casos. Mas o perfil de Wan-Dick nos permite ver, com bastante facilidade, que a grande diferença entre a conduta do verdadeiro e do falso está no resultado das ações. Porque não é possível conceber um homem corrupto como sendo homem público. Um homem corrupto pode ser qualquer coisa: um politiqueiro, um arremedo de liderança, mas jamais será um homem público de verdade, nunca um estadista, ainda que venha a ocupar cargos e exercer mandatos.
Um homem corrupto é incompatível com o ter espírito público. Esta característica humana é revelada no prazer de servir, de se entregar em favor da comunidade. E não dá para ser homem público e ser corrupto ao mesmo tempo. Este último defende interesses pessoais. Ora, o corrupto é egoísta, retira da comunidade para si. O homem público, ao contrário, dá de si para a comunidade. Este serve ao cargo, e aquele se serve do cargo. Ora, uma coisa exclui a outra. Ou o sujeito é homem público ou é um homem corrupto, portanto, egoísta.

Servir pelo amor de servir. Esse é o exemplo e o maior legado que Wan-Dick nos deixa e sobre o qual precisamos refletir nestes dias difíceis, em que os valores estão invertidos. Trabalhemos para que, no dia de nosso falecimento, aconteça conosco algo semelhante ao que ocorreu com ele. Os homens de bem são assim: nos ensinam tanto quando morrem, tanto quando vivem. Parafraseando Fernando Pessoa, “a morte é uma curva que existe ao longo da estrada, onde o corpo pára, mas a caminhada continua”.
De forma que me vem à mente o que disse Confúcio: “Quando nasceste, todos riram e só tu choraste. Viva de tal forma que quando morreres todos chorem e só tu rirás”. Então, choremos; enquanto Wan-Dick sorri eternamente.
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> Nas imagens, Missa de Corpo Presente de Wan-Dick Dumont, presidida pelo então Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Dom Geraldo Majela de Castro na igreja matriz da Paróquia Senhor do Bonfim de Bocaiuva, durante a tarde de 14 de maio de 2006.
Um comentário:
Homem como esse Wan-Dik, que acabei de conhecer por este artigo nos faz sentir que esse mundo há ainda pessoas que fizeram a diferença e melhoraram a face da Terra. O exemplo desse homem deve ser seguido e assim o mundo fica melhor. Agora ele está no céu onde é morada dos justos e na eternidade com Deus intercede por nós para que sejamos melhores cada vez mais e não tenhamos medo de ser bom, etico e defensor da vida sempre. Teologo Schumann
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