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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

A pessoa idosa - Protagonismo do Século XXI (1ª Parte)

POR Terezinha Campos de Souza e Neves 

A pessoa idosa, tanto homens como mulheres em tempos de outrora, sofreu um preconceito velado por parte da família e da sociedade passadas: eram deixados em isolamento, não participavam dos movimentos familiares e sociais, de seus eventos, de seus folguedos; eram deixados de lado como alguém que nada tinha para oferecer, senão o trabalho, o incômodo para os que queriam desfrutar do convívio familiar sem atropelo. 

 

Quando uma pessoa idosa (homem ou mulher) morria, queriam saber a sua idade e, quando eram informados de seus 50 ou 60 anos, exprimiam seu parecer: mas também já estava na hora mesmo! Viver mais para quê? Para dar trabalho, para adoecer, para impedir os outros de viverem a vida? E era assim que viviam as pessoas com a idade de viverem muito mais do que viveram até ali.  

 

No passado, nos remotos tempos feudais, era de praxe que, quando uma mulher atingia 70 anos, passava a ser considerada como ônus, como fator improdutivo para a economia dos familiares. Então, providenciava-se um meio pelo qual ela fosse eliminada do seio da família, sendo deixada no abandono, exposta às intempéries, à fome, à sede e à voracidade das feras, para que ela morresse sem que a família tivesse despesas com o seu sepultamento. Mundo Cão!  

 

Homens e mulheres longevos cuidados pelos seus descendentes passaram a desfrutar de uma vida longa e cheia de prazer e alegria. Aos poucos, a sociedade contemporânea foi sofrendo transformações e as pessoas de mais idade foram vivendo e vivendo cada vez mais e encontrando a sua libertação, já que viviam enclausuradas em seu mundo de solidão. Foram se apresentando pessoas idosas com perspectiva para dias melhores. 

 

Foram surgindo também os movimentos que hoje conhecemos e que defendem a pessoa idosa, como os Conselhos: os Conselhos Municipal e Estadual da Pessoa Idosa que nasceram para autenticar e fazer valer os direitos dos idosos e das idosas. Direito à saúde, de participarem dos eventos promovidos para eles: ginástica, trabalhos manuais, passeios, hidroginástica, natação, dança, tudo para promover a pessoa idosa, como o protagonista de nossa sociedade atual.


A pessoa idosa - Protagonismo do Século XXI (2ª Parte) 

 

Um exemplo de pessoa idosa: um perfil amadurecido 

 

Participo de vários grupos de pessoas idosas de minha cidade. Participo das atividades promovidas por elas para o meu entretenimento e relacionamento com o outro em um convívio social, que se faz tão necessário para o ser vivo. Sou uma idosa de 77 anos. Gosto de cantar, declamar, cuidar de minhas plantas. Tenho um orquidário, pelo qual sou apaixonada. Estou sempre conversando com as plantas; reivindico meus direitos, sempre que se faz necessário; sou numismata (coleciono moedas). Às vezes, vem alguém e me dedica uma moeda antiga, o que me faz feliz, muito feliz.  

 

Sou escritora, poeta e participo também de vários grupos culturais dentro de minha cidade e fora dela, como a Academia Feminina de Letras de Montes Claros-MG (AFL-MOC-MG), da qual fui presidente de 02 de dezembro de 2019 a 02 de dezembro de 2021, em plena pandemia de coronavírus, e onde ocupo a cadeira de número 25 que foi de Clarice Baleeiro Guimarães Albuquerque; o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros-MG; a Academia de Letras de Juiz de Fora-MG; a Associação de Jornalistas e Escritoras Brasileiras-MG; a Associação dos Poetas Aldravianistas de Mariana-MG; a Real Academia de Letras de Porto Alegre, Rio Grande do Sul desde 2011; a Academia Brasileira de Letras de Escritores Adventistas da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp); e, além de participar, gosto de incentivar outros a participarem já que percebo o quanto me faz bem esse convívio amistoso. Afinal, estamos no século XXI e precisamos desempenhar nosso papel, buscando em cada companheiro idoso a atitude de otimismo, de esperança e de busca por dias melhores.   

 

Sou moradora do Bairro Cintra desde que me casei. Nasci em MOC-MG no dia 18 de setembro de 1945. Aprecio muito os movimentos culturais da cidade, como o Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético, no qual exponho minhas poesias. De 04 a 12 de outubro de 2019, minhas poesias destacaram o descaso do Estado brasileiro com a vida dos idosos e das idosas. Sou parnasiana, fã de Olavo Bilac. Meus textos primam pela valorização da gramática da Língua Portuguesa.  

 

Casei-me com José Luiz Neves em 06 de fevereiro de 1969 na Catedral Metropolitana de MOC, com quem tive quatro filhos. Meu marido foi contabilista da segunda gestão do melhor prefeito da cidade até agora: Antônio Lafetá Rebello, de 1977 a 1982, quando a inflação e o alto custo de vida atormentavam todos os brasileiros. Nesse período, Toninho Rebello disputou a Prefeitura com o médico, historiador e folclorista Hermes Augusto de Paula (1909-1983). Mandou construir o Centro Cultural da cidade e batizou-o com o nome de seu adversário: Hermes Augusto de Paula, em 22 de maio de 1979. Militei no magistério por 40 anos, sendo 25 na rede pública estadual e 15 na rede pública privada. Sou hoje fiel da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Participei do Curso da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) da Prefeitura de Montes Claros e participo das atividades do Serviço Social do Comércio (Sesc). 

 

Tenho três livros publicados: “Onde estão os teus filhos?” (2006) e “A Viagem da Letra X” (2009), além de “Montes Claros Claros Montes Nossa Terra Nossa Gente”, em parceria com Helena Pereira Nascimento e Martins. Está por publicar “Quem foi lobo?” e “A Lua Quebrada”. Dos meus três livros publicados, dois são infantis. Gosto muito de escrever para crianças e fazer contação de história para elas. Toda segunda-feira visito a Biblioteca do Autor Montes-Clarense “Maria das Mercês Paixão Guedes”, onde leio a Bíblia. Considero estranho uma biblioteca sem Bíblia, o primeiro dos livros. Faço facilmente amizade com todos os funcionários da Drogaria Minas-Brasil e com quaisquer pessoas, com quem sou sorridente e aprazível. Tenho textos publicados nas obras literárias da AFL-MOC: “Testemunhas da História: 50 Anos da Unimontes” (2012), “Universo Feminino” (2013), “A Mulher e o Trabalho” (2013), “Caminhos de Montes Claros” (2014), “A Mulher e a Música” (2015), “Flores do Cerrado: Mulheres do Norte de Minas” (2017), “Antologia da Academia Feminina de Letras (2019) e “Escrever, Amar, Esperar” (2021).  

 

O que produz a longevidade na pessoa não é só a saúde física, mas também a saúde emocional, a saúde mental, a saúde intelectual e moral e, sobretudo, a saúde espiritual. O idoso é referência religiosa, seja qual for a denominação abraçada, pois é preciso revelar o amor de Deus às gerações futuras para que as dificuldades sejam superadas com o olhar voltado para o alvo que é Cristo Jesus; a oração, a comunhão com Deus estão comprovados cientificamente como recurso de viver saudável, pois eliminam a reclamação, a insatisfação e a ingratidão que atraem a ansiedade, a tristeza, as preocupações desnecessárias e os medos infundados. 

 

O viver saudável que buscamos não é apenas o físico. É o todo envolvendo os vários aspectos de nossa vida. E devemos buscar esse viver saudável influenciando as gerações futuras, que vivem num mundo pervertido, conturbado, ameaçado e cheio de confusão. É preciso que vivamos e preguemos através de nossas vidas o amor, esse sentimento transformador, que, operado por Deus em nós, trará uma grande diferença para a sociedade em que vivemos.  

 

Terezinha Campos de Souza e Neves nasceu em 18 de setembro de 1945 em MOC-MG. Sua formação inclui o curso de Magistério no Ensino Médio e no Nível Superior e a graduação incompleta em Letras. Militou 40 anos no Magistério. É membro da Academia Feminina de Letras de Montes Claros (AFL-MOC), do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, da Real Academia de Letras de Porto Alegre-RS. Tem quatro publicações: “Montes Claros, Claros Montes”, “Nossa Terra Nossa Gente”, “A Viagem da Letra X”, “Onde Estão Os Teus Filhos” e “Natal 2018”. Tem artigos e poesias publicados em jornais da cidade, como o “Novo Jornal de Notícias” e o jornal “O Norte de Minas”, além da revista “Mocidade”, da Casa Publicadora Brasileira de Tatuí-SP. Seus textos ainda foram veiculados em antologias do Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético de MOC-MG, da AFL-MOC e da Real Academia de Letras. Suas coletâneas de poesias versam sobre o amor a Deus, à natureza, à educação, à família e a sonetos inspirados em Olavo Bilac, o poeta da sua infância. Adota o nome literário de Terezinha Campos. Foi presidente da AFL-MOC de 2019 a 2021. Faleceu no domingo, 02 de fevereiro de 2025.    

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